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Mensagens

A mostrar mensagens de julho, 2026

A singularidade

  Somos a nossa própria singularidade. O ponto de partida e o local de chegada. A alegria e o desespero. A casa cheia e a solidão. Enquanto vivemos tentamos obter reconhecimento da nossa própria existência, o testemunho do ar quente expelido dos pulmões. Por mais que caminhemos nunca poderemos deixar-nos a nós próprios, seremos sempre o eterno amigo que nos acompanha e único ser que nos ama incondicionalmente, aquele que nos conhece e nos aconselha e nos critica. Enganamo-nos para que a vida seja mais suportável, preenchemos os espaços com a importância de que nada representa para nós e dizemos chamar-se felicidade. E é nos momentos a sós que olhamos para dentro do que é a alma e esta nos mostra que por mais que corramos, por mais que nos aqueçamos nos braços de outras pessoas, por mais que sejam os beijos roubados, as manhãs de chuva na cama, ou o escutar mil vezes das aves no quintal, no fim seremos somente nós que estaremos porque somos a nossa própria singularidade. E aí lembra...

A Procura

No pôr do Sol, a Mulher permanece quieta, imóvel, a contemplar o horizonte, e uma lágrima desliza pelo rosto, onde a Fé no amanhã e a tristeza e o Momentum do Ontem se mostram no Tempo, sem que se misturem ou que se dividam. São sentimentos, espaços de muitas cores e formas. A mulher representa-nos, advoga a nossa essência e entende que o tudo e o nada nunca foram sobre nós. A Lágrima passa sobre cada poro de pele, transportando o que sempre existiu e sempre será, caída de olhos que miram o desconhecido, a esperança e a Fé. O rosto, vincado pela ilusão do que já foi e pelo primeiro dia de Novo, a Serenidade deixa para trás toda a dor, ansiedade e temor. Ao longe, o novo dia já se faz presente e percebe que é mais uma oportunidade, mais uma janela pronta para nos abraçar.  

A ilusão do retorno

Linha de contexto:  Uma reflexão sobre a passagem do tempo, a nostalgia de quem fomos e a impossibilidade de regressar aos lugares e estados de espírito onde já fomos felizes.   Hoje levantei-me a pensar no que fui, no que sou e no que serei. Todos eles incertos para mim próprio, como para qualquer um de vós, já que não temos controlo da nossa vida, esse controlo é uma ilusão. Por mais passos atrás que demos, jamais seremos quem fomos um dia, o tempo e a ação do exterior impede-nos de nos resumirmos a esse ser anterior e desejado. É a viagem do tempo dentro de nós que é impossível, pois quem fomos jamais podermos voltar a ser, somos nós que não o permitimos. É como se tivesse acordado com saudades de mim próprio, da inocência, da curiosidade do amanhã, sem os erros, sem arrogância de pensar que sabermos é sempre a mais válida do falso conhecimento, sem todas as inverdades que nos dizemos a nós mesmos para nos desculparmos de sermos somente falíveis. Sinto falta dos sítios, mas...