Somos a nossa própria singularidade. O ponto de partida e o local de chegada. A alegria e o desespero. A casa cheia e a solidão. Enquanto vivemos tentamos obter reconhecimento da nossa própria existência, o testemunho do ar quente expelido dos pulmões. Por mais que caminhemos nunca poderemos deixar-nos a nós próprios, seremos sempre o eterno amigo que nos acompanha e único ser que nos ama incondicionalmente, aquele que nos conhece e nos aconselha e nos critica. Enganamo-nos para que a vida seja mais suportável, preenchemos os espaços com a importância de que nada representa para nós e dizemos chamar-se felicidade. E é nos momentos a sós que olhamos para dentro do que é a alma e esta nos mostra que por mais que corramos, por mais que nos aqueçamos nos braços de outras pessoas, por mais que sejam os beijos roubados, as manhãs de chuva na cama, ou o escutar mil vezes das aves no quintal, no fim seremos somente nós que estaremos porque somos a nossa própria singularidade. E aí lembra...
Linha de contexto: Há dias em que o olhar se perde no branco e a mente ferve num vulcão silencioso. Entre o turbilhão das ideias que se recusam a tomar forma e a página que aguarda, esconde-se o limbo do criador. Uma reflexão sobre o peso do pensamento e a arte de parar antes de escrever. Olho para a folha vazia e todas as palavras poderiam estar nela, mas estarão somente as que escolher. O olhar contempla o vazio, o nada e o misto de pensamentos que se negam a ter forma e a dar corpo a uma frase que seja, mas que nesse estado abstrato, imaterial e profundo corre um rio de muitas coisas que se misturam, se mostram, mas que não se unem, como se todas pudessem sair ao mesmo como a explosão de um vulcão, significando tudo só por si mesmas e que em conjunto não fizessem sentido. A folha branca aguarda para ser desvirginada pela razão e raciocínio, ainda donzela do texto, pontuação e imagens que poderá conter. Como uma peça de barro pronta a ser moldada pelo oleiro que per...