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Mensagens

A singularidade

  Somos a nossa própria singularidade. O ponto de partida e o local de chegada. A alegria e o desespero. A casa cheia e a solidão. Enquanto vivemos tentamos obter reconhecimento da nossa própria existência, o testemunho do ar quente expelido dos pulmões. Por mais que caminhemos nunca poderemos deixar-nos a nós próprios, seremos sempre o eterno amigo que nos acompanha e único ser que nos ama incondicionalmente, aquele que nos conhece e nos aconselha e nos critica. Enganamo-nos para que a vida seja mais suportável, preenchemos os espaços com a importância de que nada representa para nós e dizemos chamar-se felicidade. E é nos momentos a sós que olhamos para dentro do que é a alma e esta nos mostra que por mais que corramos, por mais que nos aqueçamos nos braços de outras pessoas, por mais que sejam os beijos roubados, as manhãs de chuva na cama, ou o escutar mil vezes das aves no quintal, no fim seremos somente nós que estaremos porque somos a nossa própria singularidade. E aí lembra...
Mensagens recentes

A Folha

  Linha de contexto:  Há dias em que o olhar se perde no branco e a mente ferve num vulcão silencioso. Entre o turbilhão das ideias que se recusam a tomar forma e a página que aguarda, esconde-se o limbo do criador. Uma reflexão sobre o peso do pensamento e a arte de parar antes de escrever.  Olho para a folha vazia e todas as palavras poderiam estar nela, mas estarão somente as que escolher. O olhar contempla o vazio, o nada e o misto de pensamentos que se negam a ter forma e a dar corpo a uma frase que seja, mas que nesse estado abstrato, imaterial e profundo corre um rio de muitas coisas que se misturam, se mostram, mas que não se unem, como se todas pudessem sair ao mesmo como a explosão de um vulcão, significando tudo só por si mesmas e que em conjunto não fizessem sentido. A folha branca aguarda para ser desvirginada pela razão e raciocínio, ainda donzela do texto, pontuação e imagens que poderá conter. Como uma peça de barro pronta a ser moldada pelo oleiro que per...

A Realidade

  Linha de contexto: Uma reflexão introspetiva sobre a subjetividade da perceção humana, o escapismo face à adversidade e a forma como a mente constrói ativamente a sua própria prisão e o seu próprio caos. Tendemos a ver a realidade com base no que somos e como entendemos o mundo. Não existe uma imparcialidade no que entendemos, porque cada um de nós vê a realidade segundo os seus olhos e a sua perceção do que nos rodeia. Desta forma, a realidade que vemos é a projeção que idealizamos com base no que sentimos e no que entendemos que esta seja, e não a realidade ela própria. Se víssemos a realidade como esta é, e não como nós percecionamos que esta seja, não seríamos suscetíveis à manipulação e a inverdades, porque existiria certeza no que aprendemos. Facilmente a mente é manipulável, porque somos abertos a crer nos mitos, nas lendas e nas ilusões. Temos mentes que estabelecem critérios, parâmetros e factos, mas também alimentamos a fantasia e o desejo do que um dia seremos e do fu...

As chegadas

      As chegadas são sempre boas e bem vindas quando se espera o ano para que ocorram, é um eterno amanhã com mais peso nos dias horas e minutos que a antecedem. Chegam com calor do verão no inverno e o fresco do inverno na plenitude do verão. São um medicamento de boa disposição e dispersão das saudades.  

A arte de calar

    Santo Deus. Não percebo esta m*rda que se forma à nossa volta, que decide como se de tudo deles fosse e nada se houvesse a reportar ou informar a quem manda mandar. São desilusões ambulantes. compadrios mirabolantes, filhos da curta pouco salutar. Que se coisa a coisa da m*rda que se outorgam continuar. rendam-se ás palavras de quem não quer, de quem grita não, sem nada gritar. f*da-se que se devia calar. Juro que estou cansado e que rio a dentro me envio desanimado, com uma verdade que não quero alvitrar. 

A Procura

No pôr do Sol, a Mulher permanece quieta, imóvel, a contemplar o horizonte, e uma lágrima desliza pelo rosto, onde a Fé no amanhã e a tristeza e o Momentum do Ontem se mostram no Tempo, sem que se misturem ou que se dividam. São sentimentos, espaços de muitas cores e formas. A mulher representa-nos, advoga a nossa essência e entende que o tudo e o nada nunca foram sobre nós. A Lágrima passa sobre cada poro de pele, transportando o que sempre existiu e sempre será, caída de olhos que miram o desconhecido, a esperança e a Fé. O rosto, vincado pela ilusão do que já foi e pelo primeiro dia de Novo, a Serenidade deixa para trás toda a dor, ansiedade e temor. Ao longe, o novo dia já se faz presente e percebe que é mais uma oportunidade, mais uma janela pronta para nos abraçar.  

A ilusão do retorno

Linha de contexto:  Uma reflexão sobre a passagem do tempo, a nostalgia de quem fomos e a impossibilidade de regressar aos lugares e estados de espírito onde já fomos felizes.   Hoje levantei-me a pensar no que fui, no que sou e no que serei. Todos eles incertos para mim próprio, como para qualquer um de vós, já que não temos controlo da nossa vida, esse controlo é uma ilusão. Por mais passos atrás que demos, jamais seremos quem fomos um dia, o tempo e a ação do exterior impede-nos de nos resumirmos a esse ser anterior e desejado. É a viagem do tempo dentro de nós que é impossível, pois quem fomos jamais podermos voltar a ser, somos nós que não o permitimos. É como se tivesse acordado com saudades de mim próprio, da inocência, da curiosidade do amanhã, sem os erros, sem arrogância de pensar que sabermos é sempre a mais válida do falso conhecimento, sem todas as inverdades que nos dizemos a nós mesmos para nos desculparmos de sermos somente falíveis. Sinto falta dos sítios, mas...