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Mensagens

A Folha

  Linha de contexto:  Há dias em que o olhar se perde no branco e a mente ferve num vulcão silencioso. Entre o turbilhão das ideias que se recusam a tomar forma e a página que aguarda, esconde-se o limbo do criador. Uma reflexão sobre o peso do pensamento e a arte de parar antes de escrever.  Olho para a folha vazia e todas as palavras poderiam estar nela, mas estarão somente as que escolher. O olhar contempla o vazio, o nada e o misto de pensamentos que se negam a ter forma e a dar corpo a uma frase que seja, mas que nesse estado abstrato, imaterial e profundo corre um rio de muitas coisas que se misturam, se mostram, mas que não se unem, como se todas pudessem sair ao mesmo como a explosão de um vulcão, significando tudo só por si mesmas e que em conjunto não fizessem sentido. A folha branca aguarda para ser desvirginada pela razão e raciocínio, ainda donzela do texto, pontuação e imagens que poderá conter. Como uma peça de barro pronta a ser moldada pelo oleiro que per...
Mensagens recentes

A Realidade

  Linha de contexto: Uma reflexão introspetiva sobre a subjetividade da perceção humana, o escapismo face à adversidade e a forma como a mente constrói ativamente a sua própria prisão e o seu próprio caos. Tendemos a ver a realidade com base no que somos e como entendemos o mundo. Não existe uma imparcialidade no que entendemos, porque cada um de nós vê a realidade segundo os seus olhos e a sua perceção do que nos rodeia. Desta forma, a realidade que vemos é a projeção que idealizamos com base no que sentimos e no que entendemos que esta seja, e não a realidade ela própria. Se víssemos a realidade como esta é, e não como nós percecionamos que esta seja, não seríamos suscetíveis à manipulação e a inverdades, porque existiria certeza no que aprendemos. Facilmente a mente é manipulável, porque somos abertos a crer nos mitos, nas lendas e nas ilusões. Temos mentes que estabelecem critérios, parâmetros e factos, mas também alimentamos a fantasia e o desejo do que um dia seremos e do fu...

As chegadas

      As chegadas são sempre boas e bem vindas quando se espera o ano para que ocorram, é um eterno amanhã com mais peso nos dias horas e minutos que a antecedem. Chegam com calor do verão no inverno e o fresco do inverno na plenitude do verão. São um medicamento de boa disposição e dispersão das saudades.  

A arte de calar

    Santo Deus. Não percebo esta m*rda que se forma à nossa volta, que decide como se de tudo deles fosse e nada se houvesse a reportar ou informar a quem manda mandar. São desilusões ambulantes. compadrios mirabolantes, filhos da curta pouco salutar. Que se coisa a coisa da m*rda que se outorgam continuar. rendam-se ás palavras de quem não quer, de quem grita não, sem nada gritar. f*da-se que se devia calar. Juro que estou cansado e que rio a dentro me envio desanimado, com uma verdade que não quero alvitrar. 

A Procura

No pôr do Sol, a Mulher permanece quieta, imóvel, a contemplar o horizonte, e uma lágrima desliza pelo rosto, onde a Fé no amanhã e a tristeza e o Momentum do Ontem se mostram no Tempo, sem que se misturem ou que se dividam. São sentimentos, espaços de muitas cores e formas. A mulher representa-nos, advoga a nossa essência e entende que o tudo e o nada nunca foram sobre nós. A Lágrima passa sobre cada poro de pele, transportando o que sempre existiu e sempre será, caída de olhos que miram o desconhecido, a esperança e a Fé. O rosto, vincado pela ilusão do que já foi e pelo primeiro dia de Novo, a Serenidade deixa para trás toda a dor, ansiedade e temor. Ao longe, o novo dia já se faz presente e percebe que é mais uma oportunidade, mais uma janela pronta para nos abraçar.  

A ilusão do retorno

Linha de contexto:  Uma reflexão sobre a passagem do tempo, a nostalgia de quem fomos e a impossibilidade de regressar aos lugares e estados de espírito onde já fomos felizes.   Hoje levantei-me a pensar no que fui, no que sou e no que serei. Todos eles incertos para mim próprio, como para qualquer um de vós, já que não temos controlo da nossa vida, esse controlo é uma ilusão. Por mais passos atrás que demos, jamais seremos quem fomos um dia, o tempo e a ação do exterior impede-nos de nos resumirmos a esse ser anterior e desejado. É a viagem do tempo dentro de nós que é impossível, pois quem fomos jamais podermos voltar a ser, somos nós que não o permitimos. É como se tivesse acordado com saudades de mim próprio, da inocência, da curiosidade do amanhã, sem os erros, sem arrogância de pensar que sabermos é sempre a mais válida do falso conhecimento, sem todas as inverdades que nos dizemos a nós mesmos para nos desculparmos de sermos somente falíveis. Sinto falta dos sítios, mas...

O vento que te toca

O vento que toca a tua face, que leva a tristeza do teu olhar. Busca em ti o brilho da lua plena. Jamais te olhará como eu te olho. Jamais sentira o calor do teu coração, onde ecoam os rios do amor. Carece o pensar da razão, se temente dispensa a lógica do entardecer, e de joelhos te estende a mão, procurando a ti pertencer. É vento gelado que corre, jazendo a teu lado inerte. A teus pés esse frio morre, sabendo que não te merece. Imagem de Topo:  Pixabay.pt