Linha de contexto: Há dias em que o olhar se perde no branco e a mente ferve num vulcão silencioso. Entre o turbilhão das ideias que se recusam a tomar forma e a página que aguarda, esconde-se o limbo do criador. Uma reflexão sobre o peso do pensamento e a arte de parar antes de escrever. Olho para a folha vazia e todas as palavras poderiam estar nela, mas estarão somente as que escolher. O olhar contempla o vazio, o nada e o misto de pensamentos que se negam a ter forma e a dar corpo a uma frase que seja, mas que nesse estado abstrato, imaterial e profundo corre um rio de muitas coisas que se misturam, se mostram, mas que não se unem, como se todas pudessem sair ao mesmo como a explosão de um vulcão, significando tudo só por si mesmas e que em conjunto não fizessem sentido. A folha branca aguarda para ser desvirginada pela razão e raciocínio, ainda donzela do texto, pontuação e imagens que poderá conter. Como uma peça de barro pronta a ser moldada pelo oleiro que per...
Linha de contexto: Uma reflexão introspetiva sobre a subjetividade da perceção humana, o escapismo face à adversidade e a forma como a mente constrói ativamente a sua própria prisão e o seu próprio caos. Tendemos a ver a realidade com base no que somos e como entendemos o mundo. Não existe uma imparcialidade no que entendemos, porque cada um de nós vê a realidade segundo os seus olhos e a sua perceção do que nos rodeia. Desta forma, a realidade que vemos é a projeção que idealizamos com base no que sentimos e no que entendemos que esta seja, e não a realidade ela própria. Se víssemos a realidade como esta é, e não como nós percecionamos que esta seja, não seríamos suscetíveis à manipulação e a inverdades, porque existiria certeza no que aprendemos. Facilmente a mente é manipulável, porque somos abertos a crer nos mitos, nas lendas e nas ilusões. Temos mentes que estabelecem critérios, parâmetros e factos, mas também alimentamos a fantasia e o desejo do que um dia seremos e do fu...