Somos a nossa própria singularidade. O ponto de partida e o local de chegada. A alegria e o desespero. A casa cheia e a solidão. Enquanto vivemos tentamos obter reconhecimento da nossa própria existência, o testemunho do ar quente expelido dos pulmões. Por mais que caminhemos nunca poderemos deixar-nos a nós próprios, seremos sempre o eterno amigo que nos acompanha e único ser que nos ama incondicionalmente, aquele que nos conhece e nos aconselha e nos critica. Enganamo-nos para que a vida seja mais suportável, preenchemos os espaços com a importância de que nada representa para nós e dizemos chamar-se felicidade. E é nos momentos a sós que olhamos para dentro do que é a alma e esta nos mostra que por mais que corramos, por mais que nos aqueçamos nos braços de outras pessoas, por mais que sejam os beijos roubados, as manhãs de chuva na cama, ou o escutar mil vezes das aves no quintal, no fim seremos somente nós que estaremos porque somos a nossa própria singularidade. E aí lembra...
"Quando procurei pelo tempo, já o tempo tinha sido. e o tempo que faltava, tinha já acontecido. Ocorreu-me bater à porta, para ver se o tempo lá estava. e veio-me abrir a porta o tempo que faltava. E disse que não tinha tempo, que não podia esperar, e o tempo passou a correr, para não mais voltar" Do meu amigo Augusto L., O tempo, parece que nos foge, que se esgueira por entre os dedos das mãos. O ontem, o hoje e o amanhã ilusoriamente presos numa máquina do tempo, onde números e ponteiros regem a vidas dos homens. Somos viajantes do tempo, sempre na ânsia do futuro, daquilo que será e não vivemos o presente, não respiramos o ar de hoje, almejando pela golfada maior de amanhã. Beija a tua mulher de manhã antes de saíres, abraça os teus filhos e dizes-lhes o quão importantes são para ti, senta-te com os teus Pais e ouve o que têm para te contar. Faz um almoço com os teus irmãos e relembrem o passado de uma era de meninice que era um mundo, um universo, um conto. Revive as tuas...