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A singularidade

  Somos a nossa própria singularidade. O ponto de partida e o local de chegada. A alegria e o desespero. A casa cheia e a solidão. Enquanto vivemos tentamos obter reconhecimento da nossa própria existência, o testemunho do ar quente expelido dos pulmões. Por mais que caminhemos nunca poderemos deixar-nos a nós próprios, seremos sempre o eterno amigo que nos acompanha e único ser que nos ama incondicionalmente, aquele que nos conhece e nos aconselha e nos critica. Enganamo-nos para que a vida seja mais suportável, preenchemos os espaços com a importância de que nada representa para nós e dizemos chamar-se felicidade. E é nos momentos a sós que olhamos para dentro do que é a alma e esta nos mostra que por mais que corramos, por mais que nos aqueçamos nos braços de outras pessoas, por mais que sejam os beijos roubados, as manhãs de chuva na cama, ou o escutar mil vezes das aves no quintal, no fim seremos somente nós que estaremos porque somos a nossa própria singularidade. E aí lembra...

A Lenda Tipo

A verdade é que se procurarmos estabelecer analogias entre o padrão da lenda-tipo e o padrão da historia de Moisés, embora consigamos criar os pontos comuns entre ambas, (com as devidas ressalvas), temos na verdade, uma grande problema, é que o herói, ou figura heroicizada, Moisés, não é (segundo aversão judaica) de ascendência nobre, ou seja, temos aqui um ponto fundamental para a figura do herói. No entanto esse mesmo problema pode ser rebatido, pela existência em determinada altura da sua vida no seio da família nobre, tendo recebido os conhecimentos egípcios e tratado como um príncipe, aliás segundo a lenda judaica, Moisés tornou-se num dos príncipes do Egipto, pelo que mesmo não sendo de nascimento nobre, este se terá nobre via "adoção" da princesa e faraó. Tudo isto não veio trazer nenhuma luz para aquilo a que Freud intentou. Saber se Moisés era judeu ou egípcio. Existe no entanto um ponto assente nas lendas, mesmo que não façamos a leitura através da utilização do mét...

O Mito do Herói

Freud , evidencia-nos e descreve-nos as diferentes etapas do mito do herói. "As investigações de Rank, ás quais farei breves alusões, permitiram-nos conhecer a origem e a tendência deste mito. Um herói é aquele que se opõe com valentia ao seu pai e acaba por vencê-lo. O nosso mito retrata essa luta, remetendo-a até a pré-história do indivíduo, na medida em que a criança nasce contra a vontade do pai, escapando aos seus desígnios maléficos. O ato de abandonar o cesto evidencia uma inconfundível representação simbólica do nascimento: o cesto é o ventre materno; a água, o líquido amniótico. Em numerosos sonhos, a relação pais-filhos é representada pelo ato de tirar ou salvar das águas. Ao atribuir este mito natal a uma personagem famosa, a fantasia popular pretende reconhecê-la como herói, conforme o esquema de uma vida heroica." Dois pontos comuns é a existência de duas famílias, regra geral a família de partida que é quase sempre uma família nobre e rica, e a família de acolhi...

Freud, Moisés e Aton

O Nome Freud diz-nos que se o portador de um nome que denuncia determinada origem nos tempos atuais (leia-se por favor na qualidade de tempos atuais, os tempos inerentes à escrita do ensaio.), sendo assim (enuncia Freud) "(...) Quando nos referimos a épocas modernas não hesitamos" em adotar tais conclusões, embora hoje todo o indivíduo possua dois nomes - o próprio e o de família - e apesar da frequência com que se modifica ou assimila um nome em face de circunstâncias externas. Assim, não estranhamos quando nos dizem que o poeta alemão Chamisso era de origem francesa, ou que por sua vez, Napoleão Bonaparte era de origem italiana, e que Benjamin Disraeli era, de facto, um judeu italiano*(1), como o seu nome deixa supor. Pode admitir-se , portanto que em épocas recuadas e remotas uma tal dedução da nacionalidade, a partir de um nome, deveria ser ainda fidedigna e imperativa. No entanto, no meu entender, nenhum historiador extraiu esta conclusão no caso de Moisés, nem sequer o...