Linha de contexto: Apelo urgente à libertação do 'eu' das amarras sociais e fabricadas, priorizando a verdade emocional e a expressão genuína do coração em detrimento das palavras vazias da boca, perante a inevitável brevidade da existência. Não pretende ser perfeito, mas antes por ser verdadeiro. Vive. Não tenhas medo de viver, porque só vivemos verdadeiramente quando nos libertamos de amarras que nos predem. Dos conceitos fabricados para nos selar o anseio e nos negarem a verdadeira face de quem somos. Não é pelas palavras que nos saem da boca que vivemos mas antes pelas que nos saltam do coração. São essas as que desejamos, porque essas trazem vida dentro delas, e cada uma é um poema, uma âncora, uma escada, um tecto, o amor e o preenchimento do vazio que sentimos no escuro. As palavras da boca aprisionam-nos, as do coração soltam-nos e empurram-nos, enchem-nos o peito do respirar da vida. Vive, porque o tempo se esgota a cada batida do coração. Vive sem medo, po...
No princípio era eu e a minha sombra, dependente de mim e espontânea pela luz que me alumiava. A minha sombra que depende em tudo de mim, não depende da minha vontade para existir, não é autónoma na locomoção, mas sem a minha existência não existe. A Sombra existe porque é um "reflexo de mim" mas não é eu. É uma cópia do espaço e tempo em que existo, mas não representa a verdade de mim. A minha sombra não existe sem a luz, ainda que seja a representação da noite, esta existe pela ação do dia. Pulo e brinco com a sombra, e ela finge que brinca comigo imitando os meus passos e as formas que descrevo no ar. Embora na minha vontade estejam refletidos os sentimentos e sensações, a minha sombra é fria e mexe-se provocada pela luz que passa ao meu redor. Eu e a minha sombra somos um só.