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Vive

    Linha de contexto: Apelo urgente à libertação do 'eu' das amarras sociais e fabricadas, priorizando a verdade emocional e a expressão genuína do coração em detrimento das palavras vazias da boca, perante a inevitável brevidade da existência. Não pretende ser perfeito, mas antes por ser verdadeiro. Vive. Não tenhas medo de viver, porque só vivemos verdadeiramente quando nos libertamos de amarras que nos predem. Dos conceitos fabricados para nos selar o anseio e nos negarem a verdadeira face de quem somos. Não é pelas palavras que nos saem da boca que vivemos mas antes pelas que nos saltam do coração. São essas as que desejamos, porque essas trazem vida dentro delas, e cada uma é um poema, uma âncora, uma escada, um tecto, o amor e o preenchimento do vazio que sentimos no escuro.  As palavras da boca aprisionam-nos, as do coração soltam-nos e empurram-nos, enchem-nos o peito do respirar da vida. Vive, porque o tempo se esgota a cada batida do coração. Vive sem medo, po...

As chegadas

 

 

As chegadas

 

As chegadas são sempre boas e bem vindas quando se espera o ano para que ocorram, é um eterno amanhã com mais peso nos dias horas e minutos que a antecedem. Chegam com calor do verão no inverno e o fresco do inverno na plenitude do verão. São um medicamento de boa disposição e dispersão das saudades.

 

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A Realidade

  Linha de contexto: Uma reflexão introspetiva sobre a subjetividade da perceção humana, o escapismo face à adversidade e a forma como a mente constrói ativamente a sua própria prisão e o seu próprio caos. Tendemos a ver a realidade com base no que somos e como entendemos o mundo. Não existe uma imparcialidade no que entendemos, porque cada um de nós vê a realidade segundo os seus olhos e a sua perceção do que nos rodeia. Desta forma, a realidade que vemos é a projeção que idealizamos com base no que sentimos e no que entendemos que esta seja, e não a realidade ela própria. Se víssemos a realidade como esta é, e não como nós percecionamos que esta seja, não seríamos suscetíveis à manipulação e a inverdades, porque existiria certeza no que aprendemos. Facilmente a mente é manipulável, porque somos abertos a crer nos mitos, nas lendas e nas ilusões. Temos mentes que estabelecem critérios, parâmetros e factos, mas também alimentamos a fantasia e o desejo do que um dia seremos e do fu...

A Procura

No pôr do Sol, a Mulher permanece quieta, imóvel, a contemplar o horizonte, e uma lágrima desliza pelo rosto, onde a Fé no amanhã e a tristeza e o Momentum do Ontem se mostram no Tempo, sem que se misturem ou que se dividam. São sentimentos, espaços de muitas cores e formas. A mulher representa-nos, advoga a nossa essência e entende que o tudo e o nada nunca foram sobre nós. A Lágrima passa sobre cada poro de pele, transportando o que sempre existiu e sempre será, caída de olhos que miram o desconhecido, a esperança e a Fé. O rosto, vincado pela ilusão do que já foi e pelo primeiro dia de Novo, a Serenidade deixa para trás toda a dor, ansiedade e temor. Ao longe, o novo dia já se faz presente e percebe que é mais uma oportunidade, mais uma janela pronta para nos abraçar.  

A singularidade

  Somos a nossa própria singularidade. O ponto de partida e o local de chegada. A alegria e o desespero. A casa cheia e a solidão. Enquanto vivemos tentamos obter reconhecimento da nossa própria existência, o testemunho do ar quente expelido dos pulmões. Por mais que caminhemos nunca poderemos deixar-nos a nós próprios, seremos sempre o eterno amigo que nos acompanha e único ser que nos ama incondicionalmente, aquele que nos conhece e nos aconselha e nos critica. Enganamo-nos para que a vida seja mais suportável, preenchemos os espaços com a importância de que nada representa para nós e dizemos chamar-se felicidade. E é nos momentos a sós que olhamos para dentro do que é a alma e esta nos mostra que por mais que corramos, por mais que nos aqueçamos nos braços de outras pessoas, por mais que sejam os beijos roubados, as manhãs de chuva na cama, ou o escutar mil vezes das aves no quintal, no fim seremos somente nós que estaremos porque somos a nossa própria singularidade. E aí lembra...