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O vento que te toca

O vento que toca a tua face, que leva a tristeza do teu olhar. Busca em ti o brilho da lua plena. Jamais te olhará como eu te olho. Jamais sentira o calor do teu coração, onde ecoam os rios do amor. Carece o pensar da razão, se temente dispensa a lógica do entardecer, e de joelhos te estende a mão, procurando a ti pertencer. É vento gelado que corre, jazendo a teu lado inerte. A teus pés esse frio morre, sabendo que não te merece. Imagem de Topo:  Pixabay.pt

Evoluir do Conceito Monoteísta


Tempo e Perspetiva



Logro saber que antes de qualquer outra coisa somos seres que conseguem manter a sua espiritualidade, e manter a espiritualidade não é necessariamente ter uma conduta de religiosidade, mas sim conseguir encontrar-se a si próprio dentro deste mundo maluco e descompassado de realidade em que vivemos.

Passo a explicar-me melhor. Um homem é proporcionalmente crente e religioso em conformidade com o meio onde se insere a sua dependência económica e grau de conhecimentos?

A frio, o que tento indagar é o seguinte, um homem de condições humildes e algumas carências, entre as quais económicas, poderá ser mais devoto a um credo que um homem com posses e de condições de vida mais medianas?

E face a isto, carece de perguntar-mos, se o número de ateus é maior nas classes mais altas ou baixas? Se um homem que oriundo de condições humildes, tem tendência a crer mais numa entidade superior, face à sua própria condição, da qual necessitando indubitavelmente de ajuda, se presta a equacionar mais facilmente a existência de uma Entidade Superior que o possa ajudar na sua demanda de um futuro melhor, ou se na verdade é este um pretendente ao ateísmo, devido à vida complicada e aos inúmeros revezes em que se torna complicado de acreditar que Uma Entidade Superior possa de alguma forma tornar o seu caminho na Terra mais fácil e porque não dizer, dotar esse caminho de maiores facilidades para a vida desses indivíduo. Mas tal como podemos indagar para o ser de origem humilde, podemos equacionar para o homem afortunado.

Será que por ter a vida de tal forma facilitada, poderá de alguma forma este pensar que Um Ser Superior, o "observa" e o protege dotando-o de todos os predicados e itens necessários a satisfazer as suas necessidades e quiçá indo mais além, fazendo com que este possua mais do que o necessário, de forma a que este possa sempre provir qualquer necessidade com a maior das facilidades, ou pelo contrário, este indivíduo, que aufere de todas estas benesses que a vida lhe ousou dar, não tem uma necessidade premente de acreditar nessa Entidade, porque tudo lhe é dado de forma fácil. E aqui podemos pensar a forma como o monoteísmo evoluiu ao longo dos tempos, desde a sua conceção Mosaica até à implementação da Santa Igreja Apostólica Romana.

Uma coisa é certa a religião vive da crença do conjunto dos indivíduos e sem estes embora a religião ela própria possa existir (pelo menos em termos teóricos) em termos físicos estará sem fiéis votada à extinção. É aqui que vamos pegar e procurar ao longo dos tempos estabelecer uma linha...um fio condutor que nos permita perceber porque é que um indivíduo se torna crente ou ateu, e como é que o conceito monoteísta se renova a cada geração de crentes e descrentes.

Na verdade penso que terá de existir sempre um lote de descrentes para que a ideia religiosa se fortaleça mais. Regra geral, quanto mais nos dizem que não, mais apetecível se torna a possibilidade de sim. É no fundo esta energia oposta que equilibra e fortalece o pilar da consciência e pragmatismo, mas é igualmente esta energia que dota o pilar da fé de maior consistência. O conceito de monoteísmo como nasceu e como evoluiu?


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