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A singularidade

  Somos a nossa própria singularidade. O ponto de partida e o local de chegada. A alegria e o desespero. A casa cheia e a solidão. Enquanto vivemos tentamos obter reconhecimento da nossa própria existência, o testemunho do ar quente expelido dos pulmões. Por mais que caminhemos nunca poderemos deixar-nos a nós próprios, seremos sempre o eterno amigo que nos acompanha e único ser que nos ama incondicionalmente, aquele que nos conhece e nos aconselha e nos critica. Enganamo-nos para que a vida seja mais suportável, preenchemos os espaços com a importância de que nada representa para nós e dizemos chamar-se felicidade. E é nos momentos a sós que olhamos para dentro do que é a alma e esta nos mostra que por mais que corramos, por mais que nos aqueçamos nos braços de outras pessoas, por mais que sejam os beijos roubados, as manhãs de chuva na cama, ou o escutar mil vezes das aves no quintal, no fim seremos somente nós que estaremos porque somos a nossa própria singularidade. E aí lembra...

Evoluir do Conceito Monoteísta


Tempo e Perspetiva



Logro saber que antes de qualquer outra coisa somos seres que conseguem manter a sua espiritualidade, e manter a espiritualidade não é necessariamente ter uma conduta de religiosidade, mas sim conseguir encontrar-se a si próprio dentro deste mundo maluco e descompassado de realidade em que vivemos.

Passo a explicar-me melhor. Um homem é proporcionalmente crente e religioso em conformidade com o meio onde se insere a sua dependência económica e grau de conhecimentos?

A frio, o que tento indagar é o seguinte, um homem de condições humildes e algumas carências, entre as quais económicas, poderá ser mais devoto a um credo que um homem com posses e de condições de vida mais medianas?

E face a isto, carece de perguntar-mos, se o número de ateus é maior nas classes mais altas ou baixas? Se um homem que oriundo de condições humildes, tem tendência a crer mais numa entidade superior, face à sua própria condição, da qual necessitando indubitavelmente de ajuda, se presta a equacionar mais facilmente a existência de uma Entidade Superior que o possa ajudar na sua demanda de um futuro melhor, ou se na verdade é este um pretendente ao ateísmo, devido à vida complicada e aos inúmeros revezes em que se torna complicado de acreditar que Uma Entidade Superior possa de alguma forma tornar o seu caminho na Terra mais fácil e porque não dizer, dotar esse caminho de maiores facilidades para a vida desses indivíduo. Mas tal como podemos indagar para o ser de origem humilde, podemos equacionar para o homem afortunado.

Será que por ter a vida de tal forma facilitada, poderá de alguma forma este pensar que Um Ser Superior, o "observa" e o protege dotando-o de todos os predicados e itens necessários a satisfazer as suas necessidades e quiçá indo mais além, fazendo com que este possua mais do que o necessário, de forma a que este possa sempre provir qualquer necessidade com a maior das facilidades, ou pelo contrário, este indivíduo, que aufere de todas estas benesses que a vida lhe ousou dar, não tem uma necessidade premente de acreditar nessa Entidade, porque tudo lhe é dado de forma fácil. E aqui podemos pensar a forma como o monoteísmo evoluiu ao longo dos tempos, desde a sua conceção Mosaica até à implementação da Santa Igreja Apostólica Romana.

Uma coisa é certa a religião vive da crença do conjunto dos indivíduos e sem estes embora a religião ela própria possa existir (pelo menos em termos teóricos) em termos físicos estará sem fiéis votada à extinção. É aqui que vamos pegar e procurar ao longo dos tempos estabelecer uma linha...um fio condutor que nos permita perceber porque é que um indivíduo se torna crente ou ateu, e como é que o conceito monoteísta se renova a cada geração de crentes e descrentes.

Na verdade penso que terá de existir sempre um lote de descrentes para que a ideia religiosa se fortaleça mais. Regra geral, quanto mais nos dizem que não, mais apetecível se torna a possibilidade de sim. É no fundo esta energia oposta que equilibra e fortalece o pilar da consciência e pragmatismo, mas é igualmente esta energia que dota o pilar da fé de maior consistência. O conceito de monoteísmo como nasceu e como evoluiu?


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