Somos a nossa própria singularidade. O ponto de partida e o local de chegada. A alegria e o desespero. A casa cheia e a solidão. Enquanto vivemos tentamos obter reconhecimento da nossa própria existência, o testemunho do ar quente expelido dos pulmões. Por mais que caminhemos nunca poderemos deixar-nos a nós próprios, seremos sempre o eterno amigo que nos acompanha e único ser que nos ama incondicionalmente, aquele que nos conhece e nos aconselha e nos critica. Enganamo-nos para que a vida seja mais suportável, preenchemos os espaços com a importância de que nada representa para nós e dizemos chamar-se felicidade. E é nos momentos a sós que olhamos para dentro do que é a alma e esta nos mostra que por mais que corramos, por mais que nos aqueçamos nos braços de outras pessoas, por mais que sejam os beijos roubados, as manhãs de chuva na cama, ou o escutar mil vezes das aves no quintal, no fim seremos somente nós que estaremos porque somos a nossa própria singularidade. E aí lembra...
O vento que toca a tua face,
que leva a tristeza do teu olhar.
Busca em ti o brilho da lua plena.
Jamais te olhará como eu te olho.
Jamais sentira o calor do teu coração,
onde ecoam os rios do amor.
Carece o pensar da razão,
se temente dispensa a lógica do entardecer,
e de joelhos te estende a mão,
procurando a ti pertencer.
É vento gelado que corre,
jazendo a teu lado inerte.
A teus pés esse frio morre,
sabendo que não te merece.
Imagem de Topo: Pixabay.pt


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