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A singularidade

  Somos a nossa própria singularidade. O ponto de partida e o local de chegada. A alegria e o desespero. A casa cheia e a solidão. Enquanto vivemos tentamos obter reconhecimento da nossa própria existência, o testemunho do ar quente expelido dos pulmões. Por mais que caminhemos nunca poderemos deixar-nos a nós próprios, seremos sempre o eterno amigo que nos acompanha e único ser que nos ama incondicionalmente, aquele que nos conhece e nos aconselha e nos critica. Enganamo-nos para que a vida seja mais suportável, preenchemos os espaços com a importância de que nada representa para nós e dizemos chamar-se felicidade. E é nos momentos a sós que olhamos para dentro do que é a alma e esta nos mostra que por mais que corramos, por mais que nos aqueçamos nos braços de outras pessoas, por mais que sejam os beijos roubados, as manhãs de chuva na cama, ou o escutar mil vezes das aves no quintal, no fim seremos somente nós que estaremos porque somos a nossa própria singularidade. E aí lembra...

Em Busca da Verdadeira Essência: O Que Nos Define Como Indivíduos?


Em Busca da Verdadeira Essência: O Que Nos Define Como Indivíduos?

O que nos define? Não numa perspetiva global, o conjunto de todos os indivíduos, mas antes, cada ser humano de forma individual, nas suas características e forma de ser e agir perante si e perante todos os restantes indivíduos. O que o torna sociável ou não, O que define a nossa forma de pensar e ver o mundo e de agir, sabendo de forma consciente que tudo o que fazemos tem repercussão nos outros e em nós próprios, de forma direta e indireta.

Num mundo onde seres humanos, cheios de bazófia, com um conhecimento e sede de mais conhecimento, ousam perpetuar costumes e estupidez própria de ignorantes e acéfalos em relação ao que os rodeia, criando guerras e oprimindo outros iguais, com base nas suas vontades e necessidades de dominar e serem maiores. Seres destituídos de razões que não o partidário nó na frente da festiva barriga.

Como contemplar tudo que é criado pelo humano que não seja para o bem comum, sendo que vivemos todos num mesmo local, um planeta a que chamamos casa e de onde dificilmente sairemos, apesar dos sonhos de colonização de novos espaços. Em vez da competição desgarrada, porque não a competição assertiva, onde a ideia de um pode ser explorada por muitos, onde o melhor de cada ser humano pode ser base para novas formas de interpretarmos o conjunto de todos os seres humanos. 

Pensamos muitas vezes em competir para sermos melhores do que os outros, mas o foco dessa competição, não deveriam ser os outros, mas sim nós mesmos, para nos melhorarmos, no nosso conhecimento, na nossa perspetiva que temos dos outros e do mundo que nos rodeia e do qual somos parte integrante.

Termos mais conhecimento, mais dinheiro, mais terras, mais poder, torna-nos melhores do que os outros? Não, nada destes elementos nos torna melhores. A questão inclusivamente de ser melhor e todo o mito do melhor do que, é ilusória, deveríamos e devemos pensar em sermos melhores, não do que os outros, mas sermos melhores do que somos agora em relação a nós próprios. Os valores, são a verdadeira base, que nos fazem crescer, que nos permitem ajudar outros a crescer, partilhando esses valores e obtendo desses mesmo os seus valores para assim podermos crescer e evoluir.

O que nos define? O que nos torna únicos em relação a outros iguais a nós? Se não são o dinheiro, o poder, o ter mais recursos, ou qualquer elemento material, o que define de forma individual o ser humano individualmente? A sua Personalidade? o conjunto das características? Vejamos, somos diferentes uns dos outros pela impressão digital que não é igual nos 7 biliões de pessoas que vivem na Terra, no entanto as características e valores, podem ser muito semelhantes ou iguais, se bem que a forma de visualizarmos esses valores diferem de pessoa para pessoa, se bem que o conceito é igual para todos nós. Se não sabemos o que nos define de forma individual, então na verdade não sabemos Quem Somos, e se não sabemos quem somos, como podemos almejar responder o que é externo a nós?

O Homem é um mistério antes de tudo para si próprio, e cada um de nós não se conhece de forma total, e quando postos em determinadas posições, agimos como se não nos conhecêssemos, como se a pessoa que acabou de fazer essa ação, fosse outra, e nós estamos somente presentes e constatamos esse fato. Isso significa que um Homem bom, pode cometer maus atos e um Homem mau, pode ter atos bons. O domínio de nós mesmos, não é algo absoluto e nunca podemos dizer que somos imunes e bons ou maus atos até ao final da nossa vida, porque isso seria irracional, pois significa que não seríamos humanos, e ser humano é ser vulnerável, e incapaz de controlar o futuro. Não somos os sonhos do tempo, mas somente peões dele.

O que nos define, talvez seja a busca incessante de nos encontrarmos enquanto espécie e de uma forma individual de tentarmos ser melhores do que nos dia anterior, mas sermos melhores do que no dia anterior, não basta sabermos mais, temos de partilhar com os outros esse conhecimento apreendido e colocá-lo em ação.

Não são as guerras que nos farão evoluir, mas antes o sentido de unidade e pertença a um grupo de 7 biliões de seres que sentem, e desejam o mesmo que todos nós. Viver, e viver não é somente respirar e ter consciência de nós mesmos e dos outros, viver é sentirmos que em cada dia, o que fazemos e os objetivos que atingimos são para todos e trazem uma mais valia, essa mais valia pode ser no plano de microcosmos familiar em que vivemos e com quem partilhamos de forma imediata essas benesses iniciais, mas que se pode difundir através da ação de sociabilização desta imensa massa humana, em que no pequeno se faz grande e no longe se faz perto.


Imagem de topo, Pixabay


Tempo e Perspetiva



Leia aqui, O espaço-tempo, Deus e a criação do Universo

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