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O vento que te toca

O vento que toca a tua face, que leva a tristeza do teu olhar. Busca em ti o brilho da lua plena. Jamais te olhará como eu te olho. Jamais sentira o calor do teu coração, onde ecoam os rios do amor. Carece o pensar da razão, se temente dispensa a lógica do entardecer, e de joelhos te estende a mão, procurando a ti pertencer. É vento gelado que corre, jazendo a teu lado inerte. A teus pés esse frio morre, sabendo que não te merece. Imagem de Topo:  Pixabay.pt

O Mito do Herói

Freud, evidencia-nos e descreve-nos as diferentes etapas do mito do herói. "As investigações de Rank, ás quais farei breves alusões, permitiram-nos conhecer a origem e a tendência deste mito. Um herói é aquele que se opõe com valentia ao seu pai e acaba por vencê-lo. O nosso mito retrata essa luta, remetendo-a até a pré-história do indivíduo, na medida em que a criança nasce contra a vontade do pai, escapando aos seus desígnios maléficos. O ato de abandonar o cesto evidencia uma inconfundível representação simbólica do nascimento: o cesto é o ventre materno; a água, o líquido amniótico. Em numerosos sonhos, a relação pais-filhos é representada pelo ato de tirar ou salvar das águas. Ao atribuir este mito natal a uma personagem famosa, a fantasia popular pretende reconhecê-la como herói, conforme o esquema de uma vida heroica."

Dois pontos comuns é a existência de duas famílias, regra geral a família de partida que é quase sempre uma família nobre e rica, e a família de acolhimento que é quase sempre uma família pobre e de origens humildes, mas estes dois pontos podem variar em conformidade com o propósito e origem do mito. Ao invés do estereótipo das duas famílias que descrevemos acima, podemos visualizar em alguns dos mitos igualmente a presença de um deus em vez da família de acolhimento, ou a família de acolhimento é igualmente nobre, e temos como exemplo desta última a lenda do mito de Édipo em que ambas as famílias são de origem real.

No caso de Moisés porém existe um inverter da situação, quem se lembra da história, reconhece a semelhança do estereótipo acima mencionado, mas com a inversão de famílias, ou seja, Moisés saí de uma família pobre (Judeus Levitas) para ser acolhido por uma família nobre, sendo que quando Moisés retorna novamente ao seio a sua verdadeira família, a intenção deste não é vencer o seu pai biológico, mas aliar-se à sua verdadeira família contra o pai que lhe deu acolhimento. Existem aqui algumas discrepâncias em relação à lenda-tipo.

Alguns investigadores entre os quais Eduard Meyer, creem que a lenda-tipo original terá sido alterada (de forma propositada, ou não) de forma a servir a causa imediata. Mas não existem factos que os possam conceder uma base para corroborar esta linha de pensamento, pelo que a mesma se traduz unicamente numa linha de pensamento. No entanto, devido ao fatores inerentes, esta mesma linha de pensamento conduz-nos a um facto que serve como fator eliminatório. Facto esse que é, Esta lenda pode unicamente ter dois pontos de partida origem, ou egípcia, ou judaica.

Podemos desta forma eliminar quaisquer outros pontos de partida para a criação desta lenda. No entanto ao invés de nos permitir simplificar algumas vias, complica-nos o discernimento, senão vejamos, Freud diz-nos o seguinte: "Não obstante, uma rápida reflexão demonstra que jamais pôde existir semelhante lenda mosaica original, concordante com as outras análogas. Na verdade a lenda só pode ser de origem egípcia ou judaica. No primeiro caso, a origem egípcia fica antecipadamente excluída, porquanto os egípcios não possuíam qualquer motivo para glorificar Moisés, que não era para eles um herói. Portanto a lenda deve ter surgido no povo judeu, quer dizer, vinculando a versão conhecida à pessoa que era o seu chefe." Sigmund Freud...Confusos?

Passamos a explicar a existência de um primeiro e segundo caso. A versão mosaica e inerente aquela que temos como atual e Bíblica, é a versão Judaica, e é a esta versão que Freud se remete no seu diálogo prévio sobre a lenda-tipo através do método de Otto Rank. Mas segundo Eduard Meyer, a versão (possivelmente) original, faz com que Moisés seja na verdade o neto do faraó, e seguindo os padrões da lenda-tipo, o faraó tenha sido alertado pelo sonho profético quanto a Moisés (seu neto), passando este a ser lançado nas águas do Nilo no cesto pela sua mãe (princesa egípcia), sendo esta a versão mais concordante com o padrão da lenda-tipo. Segundo este padrão, faria sentido que este acolhido pela família mais humilde de Judeus, voltasse posteriormente para derrotar o faraó seu avô, que na verdade aqui temos o seu filho Ramsès (II) (Ramesses Meriamon - eis aqui a ligação divina entre o deus Amon e Ramsés II, em que diz que Ramsés é o Amado de(por) Amon, dando-lhe aqui a conotação de pai/filho, em que o pai protege o filho, mas deixemos este assunto agora em águas de bacalhau como se usa de dizer. Pois é, mais uns fios que tocamos). Voltando novamente à lenda-tipo, temos então aquela que seria de esperar ser a versão original e aquela que faria sentido segundo os padrões da lenda-tipo. Não podemos esquecer que Otto Rank nos evidencia que provavelmente (não devemos esquecer que tudo são possibilidades) a lenda-tipo terá sido alterada para servir as necessidades nacionais do povo judeu. Convenhamos que seria impossível deixar que um egípcio que (supostamente/hipoteticamente) terá salvo o povo judeu (hapiru) - Hebreus no Egipto (e segundo a lenda), possa permanecer com o estatuto egípcio, este teria de ser judaizado para se tornar num verdadeiro judeu. E terá (segundo hipóteses) sido o que aconteceu. ao longo de várias gerações, Moisés, terá sido transformado, num Judeu, tendo a sua origem egípcia apagada, através da transformação da lenda.


Tempo e Perspetiva



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