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O vento que te toca

O vento que toca a tua face, que leva a tristeza do teu olhar. Busca em ti o brilho da lua plena. Jamais te olhará como eu te olho. Jamais sentira o calor do teu coração, onde ecoam os rios do amor. Carece o pensar da razão, se temente dispensa a lógica do entardecer, e de joelhos te estende a mão, procurando a ti pertencer. É vento gelado que corre, jazendo a teu lado inerte. A teus pés esse frio morre, sabendo que não te merece. Imagem de Topo:  Pixabay.pt

A Lenda Tipo

A verdade é que se procurarmos estabelecer analogias entre o padrão da lenda-tipo e o padrão da historia de Moisés, embora consigamos criar os pontos comuns entre ambas, (com as devidas ressalvas), temos na verdade, uma grande problema, é que o herói, ou figura heroicizada, Moisés, não é (segundo aversão judaica) de ascendência nobre, ou seja, temos aqui um ponto fundamental para a figura do herói. No entanto esse mesmo problema pode ser rebatido, pela existência em determinada altura da sua vida no seio da família nobre, tendo recebido os conhecimentos egípcios e tratado como um príncipe, aliás segundo a lenda judaica, Moisés tornou-se num dos príncipes do Egipto, pelo que mesmo não sendo de nascimento nobre, este se terá nobre via "adoção" da princesa e faraó.

Tudo isto não veio trazer nenhuma luz para aquilo a que Freud intentou. Saber se Moisés era judeu ou egípcio.

Existe no entanto um ponto assente nas lendas, mesmo que não façamos a leitura através da utilização do método da lenda-tipo: A família que abandona o herói (ainda criança) é a de ficção, sendo que a família que recolhe a criança, é a verdadeira. Pois bem, segundo este critério, que podemos constatar nas histórias, lendas (como melhor nos aprouver chamar), Moisés foi recolhido pelos egípcios, logo é natural que pensemos que Moisés era egípcio.

Sigmund Freud, ainda que não tenha chegado a conclusões óbvias, publicou ainda assim o seu estudo sobre este tema sobre a forma de um ensaio. E é com base na hipotética aceitação de Moisés como egípcio, se quisermos crer que este último ponto da família ficção e família verdadeira, que Freud cria uma explanação sobre hipóteses, as quais iremos inserir aqui de forma cuidadosa, mas sobre as quais não faremos qualquer comentário ou alusão. Vamos simplesmente deixar o pai da psicanálise falar por si mesmo.

Como já vimos em texto anterior Freud prossegue com o seu ensaio, a partir da hipótese de Moisés ter sido um egípcio que os judeus sentiram necessidade de hebraizar. Perguntam-se muitos de vós o porque de aliar este ensaio de Sigmund Freud à Reforma Amarniana que temos vindo a debater até aqui. Pois bem, Freud ao tentar estabelecer estas pontes hipotéticas, vai conotar o nome de Moisés ao conhecido faraó herético Akhenaton, e é neste contexto que vamos a partir destas ligações fazer o nosso comentário. Sendo que para chegar até esse ponto de conexão, é necessário explicar o porquê dessa ligação e como fazê-lo, por isso nos estamos a alongar com esta série de breves textos, sendo os mesmos a explicação e ao mesmo tempo, preparação para o ponto final que queremos inserir.

Sendo assim, retomamos o tema onde o deixámos e deixamos a Sigmund Freud, a tarefa de explicar a sua própria Teoria. Por questões várias, os textos que vamos inserir terão de ser breves, daí que esta série de texto se alongue ainda mais. Peço a vossa atenção para o facto que as próximas palavras serão do próprio Sigmund Freud e não minhas."(...)Se Moisés era egípcio...então esta hipótese levanta-nos, desde logo, um novo enigma de difícil solução. Quando um povo, ou uma tribo, se dispõe a uma grande empresa, é licito esperar ver-se um dos seus membros assumir o comando ou ser nomeado chefe pelos seus companheiros. Porém, não é fácil conjeturar o que pode ter induzido um nobre egípcio - talvez um príncipe, um sacerdote, um alto funcionário - a encabeçar uma horda de imigrantes estrangeiros, culturalmente inferiores, e abandonar com eles o seu país. É conhecido o desprezo dos Egípcios pelos povos estrangeiros, o que torna o facto deveras inverosímil, e creio que é esta a improbabilidade, justamente, o motivo que impediu alguns historiadores, que reconheceram a origem egípcia do homem e lhe atribuíram toda a sabedoria do Egipto, de admitirem a possibilidade de Moisés ter sido egípcio."

breve comentário: notem os caros leitores por favor a expressão, "imigrantes estrangeiros" que Freud utiliza quando fala do Povo Judeu. Não os chama de "escravos", "cativos" ou qualquer outro termo menos apreciativo do estado ou modo de permanência dos hebreus no Egipto. Tal demonstra que Freud tinha o conhecimento do verdadeiro estado de permanência do judeus no Egipto, e não seguiu a tradicional linha de julgamento, em que coloca este povo como escravo. Como já vimos antes, o estatuto de escravo no Egipto possui inclusive um modo diferente do de outras culturas da mesma época e posteriores. Este estatuto do escravo é aceite atualmente. Voltamos novamente ás palavras de Freud.

"(...)A esta dificuldade inicial, não tarda a acrescentar-se uma outra. Recordemos que Moisés não foi somente o chefe político dos Judeus estabelecidos no Egipto, mas também o seu legislador e educador, e que lhes impôs o culto de uma nova religião".

breve comentário: Reparem os caros novamente na expressão "estabelecidos" em detrimento de qualquer outra expressão menos correta. Penso que agora já é mais inteligível onde Freud pretende chegar com esta suas últimas palavras "culto de uma nova religião". Continuemos então.


Tempo e Perspetiva







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