O vento que toca a tua face, que leva a tristeza do teu olhar. Busca em ti o brilho da lua plena. Jamais te olhará como eu te olho. Jamais sentira o calor do teu coração, onde ecoam os rios do amor. Carece o pensar da razão, se temente dispensa a lógica do entardecer, e de joelhos te estende a mão, procurando a ti pertencer. É vento gelado que corre, jazendo a teu lado inerte. A teus pés esse frio morre, sabendo que não te merece. Imagem de Topo: Pixabay.pt
O Nome
Freud diz-nos que se o portador de um nome que denuncia determinada origem nos tempos atuais (leia-se por favor na qualidade de tempos atuais, os tempos inerentes à escrita do ensaio.), sendo assim (enuncia Freud) "(...) Quando nos referimos a épocas modernas não hesitamos" em adotar tais conclusões, embora hoje todo o indivíduo possua dois nomes - o próprio e o de família - e apesar da frequência com que se modifica ou assimila um nome em face de circunstâncias externas.
Assim, não estranhamos quando nos dizem que o poeta alemão Chamisso era de origem francesa, ou que por sua vez, Napoleão Bonaparte era de origem italiana, e que Benjamin Disraeli era, de facto, um judeu italiano*(1), como o seu nome deixa supor. Pode admitir-se , portanto que em épocas recuadas e remotas uma tal dedução da nacionalidade, a partir de um nome, deveria ser ainda fidedigna e imperativa. No entanto, no meu entender, nenhum historiador extraiu esta conclusão no caso de Moisés, nem sequer o fez qualquer daqueles que como Breasted, estão dispostos a aceitar que Moisés «fora instruído na sabedoria egípcia».(1)
Existe a suposição que na verdade que Benjamin Disraeli, seria sim de origem portuguesa. Dis-raeli=Vila Real? A questão dos nomes próprios e de família no caso dos egípcios não pode ser vista desta forma tão linear, uma vez que o nome (e se formos pela via da história Bíblica) dos faraós e príncipes egípcios ( mais uma vez vamos aceitar que Moisés tenha sido, segundo os textos sagrados tratado como um príncipe), não era dado ao príncipe em virtude do nome de seu pai, mas era-lhe escolhido um nome (aliás um dos 5 nomes), que lhe seria mais propicio de acordo com a via ideológica religiosa da altura, se por exemplo o príncipe fosse o escolhido pelo faraó reinante para lhe suceder, e estivesse o deus Amon como principal deus do período, então seria mais do que natural que este procuraria junto do clero amoniano que o deus revisse o príncipe como o filho do deus e logo como sucessor natural ao trono. Outras vezes, o próprio faraó tinha necessidade de estabelecer a ligação entre o deus e si mesmo, para tornar efetiva a sua pretensão ao trono.
Os nomes no Egipto não teriam forçosamente de ser passados de pais para filhos, pelo que aqui a análise de Freud está semi-correta, tendo alguns elementos que podemos debater, contudo não podemos seguir a via do nome e nome de família, mas mais à frente poderemos debater este fator mais especificamente. Freud, é exemplar ao concluir que mesmo que o nome Moisés seja de origem egípcia, não podemos concluir que o mesmo fosse igualmente egípcio. Contudo não podemos deixar de colocar a hipótese de...
O ensaio que tratamos agora, foi publicado na revista Imago devido à aplicação de elementos de psicanálise de Freud. Otto Rank em 1909, fez igualmente um trabalho (por sugestão de Sigmund Freud) sobre O mito do nascimento do herói. Aqui explica-se como surge a lenda do herói e como o mundo ao seu redor é construído de forma a que o mais comum dos homens possa ser descoberto e tornado o herói. Na verdade, é bem mais complicado do que mencionámos, mas para nós simples mortais e sem os dotes psicanalíticos de Freud, a melhor das formas de entendermos estes pensamentos analíticos são reduzirmos tudo a uma formula bem simples que nos permita entender o conceito, e esse conceito é o seguinte: Todos os povos, todas as culturas, possuem os seus heróis míticos, os quais são enaltecidos quer através da poesia, das lendas. Estes heróis podem ser reis, príncipes, que se notabilizaram pela concretização de um grande feito. Quase como que se estes estivessem "predestinados" a alcançar esses feitos, e glórias.
Existe em todos estes heróis semelhanças em relação ao sinais que fazem com que estes tenham sido escolhidos para ser os heróis. Atenção, isto não é suposição, é um facto que estes sinais são semelhantes em todos os heróis. Otto Rank, utilizou a técnica de Galton (Quem foi Galton? - Wikipédia) e o seu próprio método para fazer a reconstrução da «lenda-tipo» "(...) destinada a realçar os elementos fundamentais destas narrativas, obteríamos o esquema que se segue: O herói, filho de ilustríssimos pais, é quase sempre filho de reis. A sua conceção foi precedida por dificuldades, como a abstinência, a esterilidade prolongada ou relações secretas entre os pais, devidas a proibições ou outros obstáculos externos. Durante a gravidez, ou mesmo antes, ocorria um vaticínio (sonho, oráculo) que advertia contra o seu nascimento, ameaçando geralmente a segurança do pai. Por conseguinte, o recém nascido é condenado, quase sempre pelo pai ou por quem o representa, a ser morto ou abandonado; em geral é abandonado numa caixa e lançado à água. Em seguida é salvo por animais ou por gente humilde (pastores) e amamentado por um animal fêmea ou uma mulher de baixa estirpe. Já homem, e após diversas aventuras, reencontra os seus pais de origem nobre; vingando-se do pai é além disso, reconhecido, alcançando a grandeza e a glória".
Entre os heróis tipo desta lenda-tipo encontra-se o rei Sargão, fundador da Babilónia, Moisés, Ciro e Rómulo, Édipo, Karna, Télefos, Perseu, Hèracles, Gilgamesh, Afión e Zethos, para enunciarmos somente alguns dos nomes que se enquadram nesta tipologia. Esta lenda-tipo é bastante nosso conhecida, sendo utilizada em mitos infantis, tais como a Branca de Neve e os Sete anões, em que o papel do pai é substituído pela madrasta má, em que temos a Branca de Neve a ser abandonada na floresta pelo caçador que tinha ordens para a matar. Esta é recolhida e protegida pelos 7 anões, cuja simbologia do número (sete) que não vamos agora discutir, dado que nos levaria a outros caminhos, mas que deixo aqui um link para um blogue que nos fala da simbologia do número: http://multiolhares-poetadaspiramides.blogspot.com - Simbologia do número 7. No decorrer a Branca de Neve é envenenada pela bruxa má (sua madrasta) e fica em sono profundo, em determinado ponto, um príncipe surge na floresta onde se encontra a Branca de Neve e a salva. Eis o mito na sua mais pura essência.
O que é certo e que graças à investigação de Otto Rank, podemos conhecer hoje a origem e tendência deste mito.
Imagem de; https://pixabay.com


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