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A ilusão do retorno

Linha de contexto:  Uma reflexão sobre a passagem do tempo, a nostalgia de quem fomos e a impossibilidade de regressar aos lugares e estados de espírito onde já fomos felizes.   Hoje levantei-me a pensar no que fui, no que sou e no que serei. Todos eles incertos para mim próprio, como para qualquer um de vós, já que não temos controlo da nossa vida, esse controlo é uma ilusão. Por mais passos atrás que demos, jamais seremos quem fomos um dia, o tempo e a ação do exterior impede-nos de nos resumirmos a esse ser anterior e desejado. É a viagem do tempo dentro de nós que é impossível, pois quem fomos jamais podermos voltar a ser, somos nós que não o permitimos. É como se tivesse acordado com saudades de mim próprio, da inocência, da curiosidade do amanhã, sem os erros, sem arrogância de pensar que sabermos é sempre a mais válida do falso conhecimento, sem todas as inverdades que nos dizemos a nós mesmos para nos desculparmos de sermos somente falíveis. Sinto falta dos sítios, mas...

Freud e Aton


Freud e Aton


Segundo a história uma princesa egípcia terá salvo Moisés das águas do Nilo e deu-lhe o nome com o fundamento etimológico: «Eu salvei-o das águas». No entanto tal é segundo Freud insuficiente. Este possível cenário vem descrito no Livro Sagrado, relato do Êxodo, segundo capítulo. No entanto segundo um dos autores do Jüdisches Lexicon, a interpretação bíblica do nome é etimologia popular.

A própria forma hebraica Moshes significa, «o que retira das águas», ou seja não se compadece com os relatos no Êxodo. Sigmund Freud, chama-nos igualmente á atenção do seguinte: "(...)Esta refutação pode ser apoiada em dois novos argumentos: primeiro seria absurdo atribuir a uma princesa egípcia conhecimentos de etimologia hebraica; segundo é quase certo que as águas de onde a criança foi retiradas não eram as do Nilo(...)".

Quanto a esta qualidade por parte de uma princesa egípcia, não poderemos ter tanta a certeza assim, mas quanto a este pormenor, não nos vamos pronunciar agora, já que não queremos fios soltos e devemos restringir-nos à Teoria de Freud e não a inovações de nossa parte. Queremos relembrar que tudo isto parte do pensamento e mente crítica e analítica de Sigmund Freud. Ainda durante a vida de Freud, alguns investigadores sugeriam que o nome Moisés, derivava do léxico egípcio, entre os quais J.H.Breasted, autor da "História do Egipto" (1906), a qual possuía farta notoriedade entre os seus homólogos e cabeças pensantes da altura.

Atenção que devemos manter sempre uma distância segura em relação à analise feita por Freud destes acontecimentos. Não nos devemos esquecer que os conhecimentos sobre o tema Egipto na altura eram uns e atualmente temos outros, pois mais descobertas em campo foram feitas e a investigação desde essa altura até aos nossos dias, permite-nos analisar de forma mais em pormenor todo este tema, contudo, não podemos igualmente deixar de ter uma posição de receção em relação a toda a lógica aqui implementada para tentar "provar" certos possíveis factos.

J.H.Breasted, diz-nos o seguinte:

«É notável que o seu nome, Moisés, seja egípcio. A palavra egípcia 'mose' (que significa 'menino') traduz uma abreviatura de nomes mais complexos, como por exemplo 'Amon-mose', ou seja, menino de Amon, ou 'Ptah-mose', menino de Ptah, nomes que por sua vez, correspondem a abreviaturas de apelidos mais latos: 'Amon (concebeu um) menino', ou 'Ptah (concebeu) um menino'. A palavras 'menino' converteu-se rapidamente num substituto fácil para o complicado nome completo, de modo que a forma nominal Mose se encontra se encontra com certa frequência nos monumentos egípcios. O pai de Moisés teria dado ao seu filho, sem dúvida, um nome composto por Ptah ou Amon, mas no decurso da vida quotidiana o patronímio divino foi sendo gradualmente esquecido e, por fim, a criança passou a chamar-se apenas Mose. (O 's' de Mosés provém da tradução grega do Antigo Testamento. De modo algum pertence à língua hebraica, em que o nome é Mosheh.». No entanto o próprio Freud não se pretende responsabilizar pelas palavras de J.H.Breasted, e fica atónito (ele também, pois também a mim me pareceu estranho) que J.H.Breasted, não tenha referido outros nomes tais como Tutmés (Thut-mose), Ahmés (Ah-mose), Ra-mose (Ramsés), todos eles portadores de nomes com a ligação divina. Freud perplexo perante a análise de J.H.Breasted, diz-nos ainda o seguinte:

"Ora bem: seria de esperar que algum dos vários autores que reconheceram a origem do nome de Moisés também chegasse à conclusão - ou, no mínimo, colocasse a hipótese - de que o próprio portador desse nome egípcio fosse, por sua vez, egípcio." Sigmund Freud

No entanto há ainda mais um fator que temos de ter em conta, a passagem de um nome difere de cultura para cultura, e a análise torna-se ainda mais complicada, se tivermos em conta determinados fatores. A título de exemplo, vejamos em termos dos dias de hoje a composição de um nome de um cidadão português por exemplo. O seu nome tem de ser de raiz portuguesa, e todos nós sabemos que se quisermos registar uma criança com um no estrangeiro, não nos é permitido, isto como é da compreensão de todos nós tem a ver com a preservação da herança linguística nacional. Mas se essa criança tiver um dos pais com nome estrangeiro, ou o nome de família for de origem estrangeira, já é possível de registar essa criança com esse nome. Contudo noutros países, e citamos a título de exemplo, o Brasil, os pais podem colocar aos seus filhos o nome que lhes aprouver, e aqui temos uma total liberdade linguística na atribuição de nome.

E perguntam os caros navegadores, mas que raio tem isto a ver com a análise de Freud ao nome de Moisés. Pois bem, eu respondo: Aquilo que aqui estamos a tentar estabelecer, é a possibilidade de Moisés ter um nome egípcio, mas contudo ser de origem hebraica, ou mesmo ser de origem egípcia e ter por conseguinte um nome egípcio. Como podem observar é deveras importante, nada pode ficar ao acaso, tudo tem de ser devidamente analisado. Mas isto é somente um breve comentário que Sigmund Freud, se encarrega de aprofundar da forma analítica que lhe reconhecemos.


Imagem de topo em: https://pixabay.com/








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