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A singularidade

  Somos a nossa própria singularidade. O ponto de partida e o local de chegada. A alegria e o desespero. A casa cheia e a solidão. Enquanto vivemos tentamos obter reconhecimento da nossa própria existência, o testemunho do ar quente expelido dos pulmões. Por mais que caminhemos nunca poderemos deixar-nos a nós próprios, seremos sempre o eterno amigo que nos acompanha e único ser que nos ama incondicionalmente, aquele que nos conhece e nos aconselha e nos critica. Enganamo-nos para que a vida seja mais suportável, preenchemos os espaços com a importância de que nada representa para nós e dizemos chamar-se felicidade. E é nos momentos a sós que olhamos para dentro do que é a alma e esta nos mostra que por mais que corramos, por mais que nos aqueçamos nos braços de outras pessoas, por mais que sejam os beijos roubados, as manhãs de chuva na cama, ou o escutar mil vezes das aves no quintal, no fim seremos somente nós que estaremos porque somos a nossa própria singularidade. E aí lembra...

A melhor invenção do mundo


A melhor invenção do mundo


A melhor invenção do mundo, qual é? A Vida. De tudo o que poderia ser inventado, criado, a vida, em todas as suas formas e amplitude, é o resultado de um Génio.

O Homem como peça central do universo. Principal e mais importante criação de Deus. o ser criado à semelhança do seu Criador. O antropocentrismo, dominou a ideia que temos desde a idade média, e que ainda é presente em muito da cultura do ser humano. Vemo-nos como o ser dominante, aquele que decide porque é o seu direito, conferido pela Entidade Maior do Universo.

Pensando que muitos ainda nos vemos como a forma de vida mais importante no mundo, então, podemos assumir que todas as restantes formas de vida estão num nível mais baixo, e que temos a sua existência, ou continuidade desta nas nossas mãos. E por seguimento dessa suposição, temos então o direito enquanto seres "superiores" a decidirmos sobre as espécies ao nosso redor, sobre o meio ambiente e sobre as suas necessidades?

Seremos então arrogantes ao pensar que a nossa existência é mais importante à de outra espécie, ou simplesmente esse é um pensamento adquirido e instituído no mais profundo do nosso ser, visto de uma forma simplista e errado?

A implicação da existência da vida ela própria é de uma complexidade tal, que não saberia por onde começar, ou explicá-la, sendo que é o maior mistério de sempre e diria que o será para sempre.

O valor da vida é-o tanto quanta a possibilidade desta existir noutros planetas, e falamos de todas as formas possíveis de vida, não somente de fauna e flora, tal como a conhecemos. Tal como no ponto de término da ação do tempo nos Buracos Negros, seremos a "Singularidade" da vida, devido à nossa evolução e ao estado em que os encontramos, perante todas as formas, ou pelo contrário somos parte do acaso e das probabilidades?

Devido à nossa capacidade de reflexão, curiosidade do que nos rodeia, autoconsciência e papel em relação a todas as formas de vida, sentimos necessidade de tudo explicar, e o que mais nos deixa em choque, é o fato de não nos conseguirmos explicar a nós próprios, sendo que sabemos quem somos agora, e nos tentamos explicar no passado, mas não sabemos a nossa origem, embora estudemos os elos antepassados que nos trouxeram até aqui.

Se por um lado temos a consciência de não de sermos o centro do mundo e que surgimos fruto das condições e probabilidades, então porque tudo o que tocamos, é moldado para se adaptar a nós e sob algum aspeto nos servir? Não é ser arrogante perante a vida? Não é ser elitista em relação ás restantes espécies deste planeta que devido à nossa constante ação de transformar o mundo, se vão retraindo nos seus habitats, extinguindo em última análise?

A vida é a melhor e maior invenção do mundo, mas o ser humano está a suprimir cada vida neste planeta através da sua necessidade de tudo moldar à sua imagem. Estamos a caminhar para a nossa própria extinção, somos uma espécie sem respeito e consciência pelo espaço natural, dizimamos tudo o que nos rodeia para que as nossas necessidades de alimento e espaço sejam satisfeitos.

Conhecemos a ação da vida, a verdadeira ação da vida, e não a que pintamos de cor de rosa, nos filmes de amor, no que criamos e compramos para tornar a nossa existência mais doce no pouco tempo que caminhamos no solo deste planeta, é cinza, lá fora na natureza, "onde o produto é constantemente testado", onde os fortes, saudáveis e capazes, dominam e continuam, se reproduzem e renovam o ciclo da vida. Onde a lei da natureza é aplicada, mas os seres humanos, apesar de não serem exatamente perfeitos na sua concordata entre si, graças à sua evolução, refutam a maior parte do processo do ciclo da vida e vivem num estado natural aparte do estabelecido pelas leis da natureza. Saídos à tanto deste processo de seleção natural, deixámos verdadeiramente de compreender a natureza, apesar de todos os estudos, estatísticas e ensaios. Somos seres não participantes numa grande parte do processo das leis da natureza, mas que agem como atuantes, interferindo nesse processo a cada segundo que passa.

Do ponto de vista religioso, se formos crentes na Criação de Deus do Universo, temos incongruências quanto à semelhança do Homem, sendo que Deus criou o Homem para o Glorificar e Servir, e tomar conta da Sua Criação, a Vida, e o Homem, que ama Deus, que o Glorifica nos Templos, o esquece nas suas ações no Mundo e destrói a vida na terra pouco a pouco, um passo de cada vez.

Do ponto de vista do ser humano, somos somente idiotas que destruímos a Casa de que necessitamos para viver. Dizemos que respeitamos a vida, seja de outro ser humano ou outra forma, mas depois matamo-nos em guerras inúteis, estúpidas e bárbaras. Poluímos Mares e Rios. Plantamos intensivamente e estragamos as terras. Criamos animais de forma cruel, tanta como a forma como os abatemos para nosso consumo. Tornamos a aridez cada vez maior. Escolhemos quem são os povos que ajudamos, porque uns são mais merecedores do que outros. Queremos ser mais, ter mais, e mais e mais, e dominarmos tudo e todos. A nossa gula, avareza e insanidade tornou-se normal e valores são somente palavras que ficam bem, na maior parte das vezes na boca de quem decide.

E quando tivermos destruído todas as possibilidades de produção de alimentos, porque não soubemos cuidar dos recursos?

A população humana é segundo alguns, demais para os recursos do planeta, no entanto, SE o consumo do ser humano reduzir para um plano essencial o stress na produção dos bens essenciais à vida também diminuirá, o que se traduzirá numa maior capacidade e por inerência de stocks e possibilidade dos alimentos serem mais equitativamente distribuídos.

O Equilíbrio entre o stress causado pelo ser humano no seu meio ambiente (à escala mundial) e os recursos capazes de serem produzidos para satisfazer as suas necessidades, é onde devemos procurar a solução. Mas para isso, não bastam seminários e reuniões de lideres mundiais, não basta uma vontade escrita, tem de se delinear um caminho capaz de tornar palavras em ações. Tem de existir um desprendimento de "Ter" e torná-lo em "Partilhar". E mais do que isso, temos de consciencializar-nos que ao contrário do célebre filme "Highlander", em que só pode existir um no final. Este é um final que não é bom para o ser humano.

Ou deixamos de empurrar com a barriga e encaramos e aceitamos que temos um problema, ou um dia o problema deixará de existir e não da forma que gostaríamos.  Qualquer das formas o planeta com, ou sem humanidade continuará a existir. Sem humanidade, sem outras formas de vida, sem água, sem oxigénio, mas o seu movimento de translação e rotação continuará até aos fim dos tempos, seja este pela ação do universo ou pela ação Divina.


Imagem de topo, pixabay.com


Tempo e Perspetiva



Leia aqui, Levitas

 

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