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A ilusão do retorno

Linha de contexto:  Uma reflexão sobre a passagem do tempo, a nostalgia de quem fomos e a impossibilidade de regressar aos lugares e estados de espírito onde já fomos felizes.   Hoje levantei-me a pensar no que fui, no que sou e no que serei. Todos eles incertos para mim próprio, como para qualquer um de vós, já que não temos controlo da nossa vida, esse controlo é uma ilusão. Por mais passos atrás que demos, jamais seremos quem fomos um dia, o tempo e a ação do exterior impede-nos de nos resumirmos a esse ser anterior e desejado. É a viagem do tempo dentro de nós que é impossível, pois quem fomos jamais podermos voltar a ser, somos nós que não o permitimos. É como se tivesse acordado com saudades de mim próprio, da inocência, da curiosidade do amanhã, sem os erros, sem arrogância de pensar que sabermos é sempre a mais válida do falso conhecimento, sem todas as inverdades que nos dizemos a nós mesmos para nos desculparmos de sermos somente falíveis. Sinto falta dos sítios, mas...

A melhor invenção do mundo


A melhor invenção do mundo


A melhor invenção do mundo, qual é? A Vida. De tudo o que poderia ser inventado, criado, a vida, em todas as suas formas e amplitude, é o resultado de um Génio.

O Homem como peça central do universo. Principal e mais importante criação de Deus. o ser criado à semelhança do seu Criador. O antropocentrismo, dominou a ideia que temos desde a idade média, e que ainda é presente em muito da cultura do ser humano. Vemo-nos como o ser dominante, aquele que decide porque é o seu direito, conferido pela Entidade Maior do Universo.

Pensando que muitos ainda nos vemos como a forma de vida mais importante no mundo, então, podemos assumir que todas as restantes formas de vida estão num nível mais baixo, e que temos a sua existência, ou continuidade desta nas nossas mãos. E por seguimento dessa suposição, temos então o direito enquanto seres "superiores" a decidirmos sobre as espécies ao nosso redor, sobre o meio ambiente e sobre as suas necessidades?

Seremos então arrogantes ao pensar que a nossa existência é mais importante à de outra espécie, ou simplesmente esse é um pensamento adquirido e instituído no mais profundo do nosso ser, visto de uma forma simplista e errado?

A implicação da existência da vida ela própria é de uma complexidade tal, que não saberia por onde começar, ou explicá-la, sendo que é o maior mistério de sempre e diria que o será para sempre.

O valor da vida é-o tanto quanta a possibilidade desta existir noutros planetas, e falamos de todas as formas possíveis de vida, não somente de fauna e flora, tal como a conhecemos. Tal como no ponto de término da ação do tempo nos Buracos Negros, seremos a "Singularidade" da vida, devido à nossa evolução e ao estado em que os encontramos, perante todas as formas, ou pelo contrário somos parte do acaso e das probabilidades?

Devido à nossa capacidade de reflexão, curiosidade do que nos rodeia, autoconsciência e papel em relação a todas as formas de vida, sentimos necessidade de tudo explicar, e o que mais nos deixa em choque, é o fato de não nos conseguirmos explicar a nós próprios, sendo que sabemos quem somos agora, e nos tentamos explicar no passado, mas não sabemos a nossa origem, embora estudemos os elos antepassados que nos trouxeram até aqui.

Se por um lado temos a consciência de não de sermos o centro do mundo e que surgimos fruto das condições e probabilidades, então porque tudo o que tocamos, é moldado para se adaptar a nós e sob algum aspeto nos servir? Não é ser arrogante perante a vida? Não é ser elitista em relação ás restantes espécies deste planeta que devido à nossa constante ação de transformar o mundo, se vão retraindo nos seus habitats, extinguindo em última análise?

A vida é a melhor e maior invenção do mundo, mas o ser humano está a suprimir cada vida neste planeta através da sua necessidade de tudo moldar à sua imagem. Estamos a caminhar para a nossa própria extinção, somos uma espécie sem respeito e consciência pelo espaço natural, dizimamos tudo o que nos rodeia para que as nossas necessidades de alimento e espaço sejam satisfeitos.

Conhecemos a ação da vida, a verdadeira ação da vida, e não a que pintamos de cor de rosa, nos filmes de amor, no que criamos e compramos para tornar a nossa existência mais doce no pouco tempo que caminhamos no solo deste planeta, é cinza, lá fora na natureza, "onde o produto é constantemente testado", onde os fortes, saudáveis e capazes, dominam e continuam, se reproduzem e renovam o ciclo da vida. Onde a lei da natureza é aplicada, mas os seres humanos, apesar de não serem exatamente perfeitos na sua concordata entre si, graças à sua evolução, refutam a maior parte do processo do ciclo da vida e vivem num estado natural aparte do estabelecido pelas leis da natureza. Saídos à tanto deste processo de seleção natural, deixámos verdadeiramente de compreender a natureza, apesar de todos os estudos, estatísticas e ensaios. Somos seres não participantes numa grande parte do processo das leis da natureza, mas que agem como atuantes, interferindo nesse processo a cada segundo que passa.

Do ponto de vista religioso, se formos crentes na Criação de Deus do Universo, temos incongruências quanto à semelhança do Homem, sendo que Deus criou o Homem para o Glorificar e Servir, e tomar conta da Sua Criação, a Vida, e o Homem, que ama Deus, que o Glorifica nos Templos, o esquece nas suas ações no Mundo e destrói a vida na terra pouco a pouco, um passo de cada vez.

Do ponto de vista do ser humano, somos somente idiotas que destruímos a Casa de que necessitamos para viver. Dizemos que respeitamos a vida, seja de outro ser humano ou outra forma, mas depois matamo-nos em guerras inúteis, estúpidas e bárbaras. Poluímos Mares e Rios. Plantamos intensivamente e estragamos as terras. Criamos animais de forma cruel, tanta como a forma como os abatemos para nosso consumo. Tornamos a aridez cada vez maior. Escolhemos quem são os povos que ajudamos, porque uns são mais merecedores do que outros. Queremos ser mais, ter mais, e mais e mais, e dominarmos tudo e todos. A nossa gula, avareza e insanidade tornou-se normal e valores são somente palavras que ficam bem, na maior parte das vezes na boca de quem decide.

E quando tivermos destruído todas as possibilidades de produção de alimentos, porque não soubemos cuidar dos recursos?

A população humana é segundo alguns, demais para os recursos do planeta, no entanto, SE o consumo do ser humano reduzir para um plano essencial o stress na produção dos bens essenciais à vida também diminuirá, o que se traduzirá numa maior capacidade e por inerência de stocks e possibilidade dos alimentos serem mais equitativamente distribuídos.

O Equilíbrio entre o stress causado pelo ser humano no seu meio ambiente (à escala mundial) e os recursos capazes de serem produzidos para satisfazer as suas necessidades, é onde devemos procurar a solução. Mas para isso, não bastam seminários e reuniões de lideres mundiais, não basta uma vontade escrita, tem de se delinear um caminho capaz de tornar palavras em ações. Tem de existir um desprendimento de "Ter" e torná-lo em "Partilhar". E mais do que isso, temos de consciencializar-nos que ao contrário do célebre filme "Highlander", em que só pode existir um no final. Este é um final que não é bom para o ser humano.

Ou deixamos de empurrar com a barriga e encaramos e aceitamos que temos um problema, ou um dia o problema deixará de existir e não da forma que gostaríamos.  Qualquer das formas o planeta com, ou sem humanidade continuará a existir. Sem humanidade, sem outras formas de vida, sem água, sem oxigénio, mas o seu movimento de translação e rotação continuará até aos fim dos tempos, seja este pela ação do universo ou pela ação Divina.


Imagem de topo, pixabay.com


Tempo e Perspetiva



Leia aqui, Levitas

 

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