Sempre achei que as pessoas são como as nozes. Por fora duras e difíceis de quebrar e por dentro frágeis, facilmente esmigalhadas. A capa dura que temos embrenhada e que mostramos a todos os outros, iguais a nós, a nossa solidez em enfrentar o mundo. Inalamos oxigénio e exalamos determinação.
Rimos por fora, e choramos por dentro. De noite acordamos e ficamos a olhar o infinito no escuro, tentando entender o caminho que temos pela frente. Procurando perscrutar sinais e pensamentos.
Ás vezes corremos quando devíamos caminhar e noutras caminhamos quando deveríamos correr. Dificilmente sabemos equilibrar o espaço, e cambaleamos de experiência em experiência, onde somos as cobaias de um projeto que se reorganiza com demasiada velocidade para que nos consigamos verdadeiramente adaptar. Somos canibais do medo, que nos serve de alimento ao passo à frente e ao desconhecido imediato, aquele para o qual não estamos preparados. A verdade é que somos a razão e causa do nosso próprio medo.
Temos receio de nós e dos nossos semelhantes enquanto somos vivos e temos receio da nossa perecibilidade. Rodeamo-nos de estímulos que nos distraiam desse fim que tememos, e que teimamos em querer esquecer. Aceitarmos que chegámos ao fim da nossa existência, é o maior desafio do ser humano. Nesses minutos finais, se tivermos o conhecimento de serem derradeiros, é a perceção do deixarmos para trás tudo o que conhecemos, tudo o que amamos, de todos de quem gostamos e estimamos. Será um momento de autoconhecimento, de verdade de quem somos, será a realidade da vida e da morte que nos batem na face com força esmagadora. Resta-nos a resignação pela inevitabilidade que amanhã não estaremos cá para saudar amigos e familiares, ou um sentimento de que tanto havia para fazer. Em qualquer das duas formas de como agiremos, pouca diferença terá.
O princípio , o meio e o fim. 3 atos da peça do ser humano.
Leia aqui. Foi um bom homem.


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