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A singularidade

  Somos a nossa própria singularidade. O ponto de partida e o local de chegada. A alegria e o desespero. A casa cheia e a solidão. Enquanto vivemos tentamos obter reconhecimento da nossa própria existência, o testemunho do ar quente expelido dos pulmões. Por mais que caminhemos nunca poderemos deixar-nos a nós próprios, seremos sempre o eterno amigo que nos acompanha e único ser que nos ama incondicionalmente, aquele que nos conhece e nos aconselha e nos critica. Enganamo-nos para que a vida seja mais suportável, preenchemos os espaços com a importância de que nada representa para nós e dizemos chamar-se felicidade. E é nos momentos a sós que olhamos para dentro do que é a alma e esta nos mostra que por mais que corramos, por mais que nos aqueçamos nos braços de outras pessoas, por mais que sejam os beijos roubados, as manhãs de chuva na cama, ou o escutar mil vezes das aves no quintal, no fim seremos somente nós que estaremos porque somos a nossa própria singularidade. E aí lembra...

Freud e Moisés


Moisés


Muitos de nós desconhecemos porventura, mas Sigmund Freud quando publicou este artigos, aliás estes artigos, foi profundamente contestado, o que na realidade até poderia estar correto, se não fossem as críticas que lhe foram alicerçadas, fundamentadas numa defesa à religião e não num plano científico, como Freud teve a coragem de fazer. Convenhamos que um indivíduo que sendo judeu se alenta a um trabalho quase de destruição da crença estabelecida, é no mínimo dos mínimos o alvo de muitos que por convicção de fé, ou por puro fanatismo religioso não compreendem que o ser humano é contestatário por natureza e que esse mesmo ser humano se outorgará dos seus direitos de pesquisa e procura da verdade para aprimoração do conhecimento. No entanto, é admissível que os indivíduos que criticaram Freud o tenham feito, afinal de contas, "lutar" pelas nossa crenças não é crime, sendo que no entanto a mente aberta é sempre uma vantagem para qualquer ser humano. Na ausência de uma mente aberta, não seremos capazes de imparcialidade, e poderemos estar a defender causas que não correspondem aos verdadeiros acontecimentos. Atenção que não me refiro neste último parágrafo à religião em si obviamente.

O Homem tem necessidade da crença, da fé, do acreditar em algo superior que o guie e proteja em todos os momentos da sua existência. À imagem dos antigos egípcios, também nós ansiamos pela existência (se é que podemos apelidar tal conceito de "existência"), pela vida além da morte. Na verdade no aspeto do desconhecimento da morte e o que esta representa na existência (agora sim) do Homem, estamos tão avançados como o egípcio de há 3500 anos atrás, ou como o Homem de Neandertal. desde que o ser humano iniciou o sepultamento e os ritos dos entes falecidos, assim também o conceito de morte, perenidade e esperança de uma vida no além se iniciou na mente do Homem. Freud não esperava com esta tese, efetivar a destruição da esperança no Homem, mas somente procurar aquilo que é for a verdade, e ainda assim era meramente, com todo o significado implícito a este "meramente" uma tese.

Não é nossa intenção estabelecermos comparações ou associações das religiões que todos nós professamos com as religiões de há milénios atrás, no entanto é igualmente difícil não estabelecer pontes à imagem do que Freud tentou fazer. Não o faremos no entanto.A tese é muito mais complicada do que aquilo que de uma forma muito simples aqui apresentámos e a ideia neste e nos outros temas é levar o caro escriba a pensar e formular para si mesmo algumas das questões que muitas vezes não queremos e não ousamos pensar. Caso queira adquirir, pode comprar a publicação da Guimarães Editores, Moisés e a Religião Monoteísta, de (claro) Sigmund Freud, na colecção Filosofia e Ensaios. É extremamente interessante. Como já dissemos, somos seres pensantes e cada um de nós requer uma continuação de desafios que nos façam pensar e formular questões, aliás o Homem somente por pensar logo existe não é? "Penso logo existo".

Se o pensamento é o alicerce do ser humano que expressa a sua existência, a alma ou a suposição dela, é a plataforma dessa mesma existência num plano diferente do físico. Sigmund Freud, ao elaborar ardilmente esta tese, tocou em muitos fios de teia ao mesmo tempo, levando à incompreensão e intolerância, somente a sua notoriedade poderia sustentar uma tese como a que "Moisés e a Religião Monoteísta", em que coloca em cheque as principais religiões do mundo, Judaica, Católica e Islâmica. Mas não somente estas religiões que são colocadas em cheque com esta tese (considere-se colocar em cheque, não a existência da religião ela mesma, mas em relação ás suas origens.), todas as religiões que de alguma forma são oriundas destes três ramos principais, são levadas a defenderem-se igualmente.Se um dia se comprovasse uma tese como esta, seria certamente o caos. A existência do ser humano, seria colocada em causa em relação, à sua origem, à sua orientação, aos seus valores, ética, em relação à própria consciência da e de humanidade. Basta somente pensar um pouco e meditar nos resultados daí adjacentes.








Imagem de topo em: https://pixabay.com

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