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A singularidade

  Somos a nossa própria singularidade. O ponto de partida e o local de chegada. A alegria e o desespero. A casa cheia e a solidão. Enquanto vivemos tentamos obter reconhecimento da nossa própria existência, o testemunho do ar quente expelido dos pulmões. Por mais que caminhemos nunca poderemos deixar-nos a nós próprios, seremos sempre o eterno amigo que nos acompanha e único ser que nos ama incondicionalmente, aquele que nos conhece e nos aconselha e nos critica. Enganamo-nos para que a vida seja mais suportável, preenchemos os espaços com a importância de que nada representa para nós e dizemos chamar-se felicidade. E é nos momentos a sós que olhamos para dentro do que é a alma e esta nos mostra que por mais que corramos, por mais que nos aqueçamos nos braços de outras pessoas, por mais que sejam os beijos roubados, as manhãs de chuva na cama, ou o escutar mil vezes das aves no quintal, no fim seremos somente nós que estaremos porque somos a nossa própria singularidade. E aí lembra...

Meu amarelo, teu vermelho - reedição

Meu amarelo, teu vermelho - reedição


Meu amarelo, teu vermelho - reedição

Este post já é antigo e foi eliminado, mas após ter por ele ter passado os olhos achei que deveria fazê-lo renascer, reeditando. A importância da cor é irrelevante, já que poderia ser outro elemento, fosse outra cor, um objeto, o que quer que fosse. O sentido deste post é unicamente identificar a realidade da existência da cor em si, sem que necessite da ação do ser humano para existir. A cor é-o por si mesma, e o ser humano faz somente a constatação da sua existência e confere-lhe um nome e por tal, torna-a real e ponto de foco da sua atenção. Enquanto olha para a cor esta existe, mas sem o seu olhar esta existe, mas não é constatada, ainda que saibamos que ela está lá.

Tentar explicar o Amarelo é ridículo e desnecessário. O Amarelo não necessita que o expliquemos, pois apresentará a cor amarela quer nós concordemos ou não. A explicação do Amarelo é uma necessidade nossa que o constatamos, mas a cor existe por si mesma e sem a nossa intervenção. Não depende se o artista lhe confere traços no seu quadro mais denunciadores da sua cor como a dominante entre todas as outras presentes na tela. 

A nossa necessidade de determinar a cor, não implica alteração de existência na mesma. Esta é o que é.

O nome da cor é uma constatação do ser humano, pois a cor não se define, porque não tem a capacidade de definição, nem "É" como aquele que a define. Nós somos o seu definidor, mas não o seu criador, e por tal limitamo-nos simplesmente ao papel de organizadores e catalogadores baseados nas regras que são as nossas e que temos como essenciais aplicadas ao "objeto" da nossa definição que "É" sem a nossa intervenção.

Ainda que o ser humano não existisse a cor poderia existiria, mas não poderíamos saber porque não poderíamos fazer constatação da sua existência, logo, esta existiria ou não do hipotético ponto da nossa inexistência.

O meu Amarelo "é o Vermelho de outros", não porque sejam daltónicos, mas porque o seu Amarelo é simplesmente diferente do "meu", ainda que um e outro sejam o mesmo. A perceção do Amarelo é diferente, e a forma como vemos e nos apercebemos do Amarelo, é diferente tanto quantos os seres humanos que o observam e dele se apercebem.

O Amarelo é a perceção que temos de uma onda de luz, que nos permite defini-la logicamente segundo conceito nosso. Essa cor é amarela em virtude da existência do nosso Sol, que é branco. O espectro permitido pela existência do nosso Sol, faz com que possamos definir a cor. A cor é fruto da nossa perceção apesar da sua realidade e apesar desta existir fora da nossa realidade, somos nós através da nossa perceção que lhe conferimos realidade e exposição ao ser humano o qual, possui a perceção da existência da cor.

Tentarmos explicar o "objeto" da nossa contemplação é inverso à realidade desse mesmo objeto.  Podemos tentar falar sobre o "objeto", analisar o "objeto", desconstruir o "objeto", mas nunca nos poderemos aproximar da realidade do "objeto" porque não somos o "objeto".


Tempo e Perspetiva




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