Avançar para o conteúdo principal

A ilusão do retorno

Linha de contexto:  Uma reflexão sobre a passagem do tempo, a nostalgia de quem fomos e a impossibilidade de regressar aos lugares e estados de espírito onde já fomos felizes.   Hoje levantei-me a pensar no que fui, no que sou e no que serei. Todos eles incertos para mim próprio, como para qualquer um de vós, já que não temos controlo da nossa vida, esse controlo é uma ilusão. Por mais passos atrás que demos, jamais seremos quem fomos um dia, o tempo e a ação do exterior impede-nos de nos resumirmos a esse ser anterior e desejado. É a viagem do tempo dentro de nós que é impossível, pois quem fomos jamais podermos voltar a ser, somos nós que não o permitimos. É como se tivesse acordado com saudades de mim próprio, da inocência, da curiosidade do amanhã, sem os erros, sem arrogância de pensar que sabermos é sempre a mais válida do falso conhecimento, sem todas as inverdades que nos dizemos a nós mesmos para nos desculparmos de sermos somente falíveis. Sinto falta dos sítios, mas...

O sentimento de inutilidade


O sentimento de inutilidade

Quem nunca sentiu um sentimento de inutilidade.

Quem nunca sentiu um sentimento de inutilidade. De se perguntar se a vida é mesmo isto, um cem número de ações diárias que fazemos rotineiramente na maior parte do tempo que estamos acordados, para que possamos com alguns dos dividendos daí retirados, podermos fazer num tempo escasso e curto algumas ações que realmente gostamos. 

Certo que temos de comer, de vestir, de uma miríade de requisitos à vida, áquilo que dizemos ser a estrutura do que podem ser bases para os sonhos do futuro. Aquele futuro que é sempre visto no longínquo pensamento que nos impele a avançar. Mas não é a vida e o existirmos, mais do que ações estabelecidas? de conceitos do que é um ser humano e do seu papel neste mundo?

Sentir que dia após dia, queremos mais para nós, mas que um buraco negro nos engole sonhos e pensamentos, que nos atola em questões do hoje, questões práticas, as quais não se comprazem com quem somos e com o que queremos ser.

De quando em quando, perguntamo-nos se o que fazemos tem realmente um sentido maior do que simplesmente a ação imediata para o obter de algo que necessitamos, de ser uma mais valia que nos traga algo mais. Algo que não se cinja a proteger a nossa própria existência, algo que nos impulsione para o queremos ser melhores, não somente pelo que esse "melhor" nos possa trazer de benesse nas questões práticas da vida, mas também no "melhor" por nós e principalmente para nós.

Podemos ter o trabalho de sonho, a família ideal que amamos, tudo o que são cânones do ser humano para se sentir feliz durante a sua curta passagem pelo mundo e mesmo assim não nos sentirmos completos. Não sentirmos que existe um propósito para o que fazemos, aquele vazio que não conseguimos explicar e que nos põe dia após dia a pensar "para onde?", "porquê?". E esse vazio, ao mesmo tempo que nos leva a sentar e pensar em quem realmente somos, e o que queremos,  qual é o propósito de tudo isto, faz igualmente pesar e pensar que por muito que saibamos sobre o ser humano, na verdade, desconhecemo-lo por completo, e isto porque nos sentimos incompletos, como a peça do puzzle que sabemos que falta, mas não sabemos onde está, nem qual é tão pouco.


Tempo e Perspetiva



Comentários

Mensagens populares deste blogue

Os demónios redutores que nos bloqueiam

Os demónios redutores que nos bloqueiam, primam por nos manterem na mesma posição de debilidade e incutem uma falsa segurança para nos dominar, esses que tantas vezes fazem o que querem, e sem dó nos deixam no limbo e reduzidos à corda bamba, sem a antevisão do amanhã. Estes, são seres amorfos que se rodeiam de outros como eles, e que nos fazem crer nas boas decisões de avanços quando estamos parados, à espera do sinal verde da honestidade, seriedade, fraternidade, esses valores tão lá para trás que não lembram a quem tem se fazer à vida. Essa que não para e que continua mesmo quando não estamos lá. Quando começamos a ter receio de falar, e de expressarmos realmente o que pensamos porque o inconveniente do depois é mais agreste do que a expressão que colocamos da boca para fora no agora, então é um sinal que a democracia e liberdade, são conceitos abstratos, inventados para adormecer plebes e permitir continuar a criação da rede que nos aperta e se diz ser para proteção. Olhos nos olho...

Construção do Conceito de Monoteísmo

O conceito de Monoteísmo .. Na Teoria de Sigmund Freud existem ligações, as quais não vamos aqui tratar, não porque estas se afastem da via que tecemos primariamente, mas porque nos levaria a uma quantidade infindável de textos sobre este mesmo tema, o qual já é infindável por si mesmo não necessitando de mais evasões. Contudo podemos noutras alturas explorar certos ângulos dessas mesmas vias. Freud alerta-nos para o facto de que um indivíduo a solo não pode criar uma religião do dia para a noite, tal como nós mesmos havíamos argumentado em texto anterior, uma religião não nasce de um dia para o outro, o conceito de Monoteísmo é algo que levaria anos a formar. Tal impossibilidade pode ser transportada para os nossos dias sob a forma do pensamento humano. Senão vejamos, ninguém acreditaria, que hoje deitar-me-ia e amanhã levantar-me-ia com um novo conceito de sistema político, sem ter pelo menos meditado naquilo que são as formas de sistema político conhecidas e que herdámos ao longo da...

A ilusão do retorno

Linha de contexto:  Uma reflexão sobre a passagem do tempo, a nostalgia de quem fomos e a impossibilidade de regressar aos lugares e estados de espírito onde já fomos felizes.   Hoje levantei-me a pensar no que fui, no que sou e no que serei. Todos eles incertos para mim próprio, como para qualquer um de vós, já que não temos controlo da nossa vida, esse controlo é uma ilusão. Por mais passos atrás que demos, jamais seremos quem fomos um dia, o tempo e a ação do exterior impede-nos de nos resumirmos a esse ser anterior e desejado. É a viagem do tempo dentro de nós que é impossível, pois quem fomos jamais podermos voltar a ser, somos nós que não o permitimos. É como se tivesse acordado com saudades de mim próprio, da inocência, da curiosidade do amanhã, sem os erros, sem arrogância de pensar que sabermos é sempre a mais válida do falso conhecimento, sem todas as inverdades que nos dizemos a nós mesmos para nos desculparmos de sermos somente falíveis. Sinto falta dos sítios, mas...