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A singularidade

  Somos a nossa própria singularidade. O ponto de partida e o local de chegada. A alegria e o desespero. A casa cheia e a solidão. Enquanto vivemos tentamos obter reconhecimento da nossa própria existência, o testemunho do ar quente expelido dos pulmões. Por mais que caminhemos nunca poderemos deixar-nos a nós próprios, seremos sempre o eterno amigo que nos acompanha e único ser que nos ama incondicionalmente, aquele que nos conhece e nos aconselha e nos critica. Enganamo-nos para que a vida seja mais suportável, preenchemos os espaços com a importância de que nada representa para nós e dizemos chamar-se felicidade. E é nos momentos a sós que olhamos para dentro do que é a alma e esta nos mostra que por mais que corramos, por mais que nos aqueçamos nos braços de outras pessoas, por mais que sejam os beijos roubados, as manhãs de chuva na cama, ou o escutar mil vezes das aves no quintal, no fim seremos somente nós que estaremos porque somos a nossa própria singularidade. E aí lembra...

O sentimento de inutilidade


O sentimento de inutilidade

Quem nunca sentiu um sentimento de inutilidade.

Quem nunca sentiu um sentimento de inutilidade. De se perguntar se a vida é mesmo isto, um cem número de ações diárias que fazemos rotineiramente na maior parte do tempo que estamos acordados, para que possamos com alguns dos dividendos daí retirados, podermos fazer num tempo escasso e curto algumas ações que realmente gostamos. 

Certo que temos de comer, de vestir, de uma miríade de requisitos à vida, áquilo que dizemos ser a estrutura do que podem ser bases para os sonhos do futuro. Aquele futuro que é sempre visto no longínquo pensamento que nos impele a avançar. Mas não é a vida e o existirmos, mais do que ações estabelecidas? de conceitos do que é um ser humano e do seu papel neste mundo?

Sentir que dia após dia, queremos mais para nós, mas que um buraco negro nos engole sonhos e pensamentos, que nos atola em questões do hoje, questões práticas, as quais não se comprazem com quem somos e com o que queremos ser.

De quando em quando, perguntamo-nos se o que fazemos tem realmente um sentido maior do que simplesmente a ação imediata para o obter de algo que necessitamos, de ser uma mais valia que nos traga algo mais. Algo que não se cinja a proteger a nossa própria existência, algo que nos impulsione para o queremos ser melhores, não somente pelo que esse "melhor" nos possa trazer de benesse nas questões práticas da vida, mas também no "melhor" por nós e principalmente para nós.

Podemos ter o trabalho de sonho, a família ideal que amamos, tudo o que são cânones do ser humano para se sentir feliz durante a sua curta passagem pelo mundo e mesmo assim não nos sentirmos completos. Não sentirmos que existe um propósito para o que fazemos, aquele vazio que não conseguimos explicar e que nos põe dia após dia a pensar "para onde?", "porquê?". E esse vazio, ao mesmo tempo que nos leva a sentar e pensar em quem realmente somos, e o que queremos,  qual é o propósito de tudo isto, faz igualmente pesar e pensar que por muito que saibamos sobre o ser humano, na verdade, desconhecemo-lo por completo, e isto porque nos sentimos incompletos, como a peça do puzzle que sabemos que falta, mas não sabemos onde está, nem qual é tão pouco.


Tempo e Perspetiva



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