Temos demasiada pressa na obra acabada e não nos evolvemos suficientemente na viagem e benesses do conhecimento que a obra nos trás. Temos demasiada pressa em tudo o que fazemos e não vemos os pormenores, não contemplamos todas as sombras e as luzes, o brilho e a forma que nos é mostrada.
Queremos viver de forma tão intensa o agora sempre com o olhar no futuro, que acabamos por não viver, mas passamos pelo tempo e chamamos a isso vida. Escravizamo-nos pelo tempo que inventámos e pela ação que esse nos trás em cada dia. O homem e a invenção do tempo, a ilusão do domino do tempo, sendo que é o tempo que domina a ação e vida dos homens.
Deixámos de olhar para o Horizonte, porque estamos demasiado absortos em olhar para cada espaço onde colocamos os nossos pés, com receio do caminho perigoso, onde incautos e mesmo temorosos por vezes nos encontramos. Sonhamos, mas não vê-mos, sonhamos porque está na nossa génese. no nosso DNA sonhar com o amanhã, mas não vê-mos o presente, não tiramos as ilações, e a realidade é algo que nos bate tardiamente ou através do ecrã da TV e Notícias.
A jornada do ser humano através da sua perspetiva do que é o mundo é uma pequena mancha na superfície de um grande lago, sem contemplação e sem conhecimento, apenas ânsia e organização.
A existência humana é ainda jovem e imatura, ávida de um sentido do amanhã que está envolto numa neblina que não deixa ver caminhos e objetivos. Somos ainda como a criança que quer ser grande porque o mundo é dos grandes, e esses vivem lá fora, e o mistério de serem adultos se vê dessa forma desmistificado, no entanto têm pressa de o ser e não aproveitam o seu tempo e a vida como ela se lhes apresenta. Somos eternos Wannabe's de um futuro que é o sonho e onde dominamos o nosso destino. Somos inconscientes e ditatoriais no que queremos e no que concedemos que os outros sejam e tenham. Somos os mestres do eterno "eu", que vivemos num mundo de "nós" e por isso somos incompatíveis connosco mesmos.
Impressionante como podemos ser tão inteligentes e ao mesmo tempo tão burros, inteligentes na vontade de avançar, no conhecer e organizar desse conhecimento, de tirar mais valias desse conhecimento, e tão burros na falsa crença que conseguimos dominar o mundo e os outros. Quando perceberemos que somos todos essenciais e necessários, quando chegará o dia em que conseguiremos por fim, dizer Humanidade e essa palavra significar o conjunto de todos os seres humanos, não mais competindo por espaço e recursos, mas pelo contrário, caminhando lado a lado, e com objetivos definidos de um bem comum.
A Jornada humana pela existência, é a trilha a seguir pelo homem pela luta da sua própria vida e a continuidade pelos séculos fora.
Leia aqui, Em busca da verdadeira essência: o que nos define como indivíduos?
Imagens de Topo: pixabay.pt



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