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A singularidade

  Somos a nossa própria singularidade. O ponto de partida e o local de chegada. A alegria e o desespero. A casa cheia e a solidão. Enquanto vivemos tentamos obter reconhecimento da nossa própria existência, o testemunho do ar quente expelido dos pulmões. Por mais que caminhemos nunca poderemos deixar-nos a nós próprios, seremos sempre o eterno amigo que nos acompanha e único ser que nos ama incondicionalmente, aquele que nos conhece e nos aconselha e nos critica. Enganamo-nos para que a vida seja mais suportável, preenchemos os espaços com a importância de que nada representa para nós e dizemos chamar-se felicidade. E é nos momentos a sós que olhamos para dentro do que é a alma e esta nos mostra que por mais que corramos, por mais que nos aqueçamos nos braços de outras pessoas, por mais que sejam os beijos roubados, as manhãs de chuva na cama, ou o escutar mil vezes das aves no quintal, no fim seremos somente nós que estaremos porque somos a nossa própria singularidade. E aí lembra...

Trilhando o Efêmero: Jornada Humana pela Existência


Temos demasiada pressa na obra acabada e não nos evolvemos suficientemente na viagem e benesses do conhecimento que a obra nos trás. Temos demasiada pressa em tudo o que fazemos e não vemos os pormenores, não contemplamos todas as sombras e as luzes, o brilho e a forma que nos é mostrada.

Queremos viver de forma tão intensa o agora sempre com o olhar no futuro, que acabamos por não viver, mas passamos pelo tempo e chamamos a isso vida. Escravizamo-nos pelo tempo que inventámos e pela ação que esse nos trás em cada dia. O homem e a invenção do tempo, a ilusão do domino do tempo, sendo que é o tempo que domina a ação e vida dos homens.

Deixámos de olhar para o Horizonte, porque estamos demasiado absortos em olhar para cada espaço onde colocamos os nossos pés, com receio do caminho perigoso, onde incautos e mesmo temorosos por vezes nos encontramos. Sonhamos, mas não vê-mos, sonhamos porque está na nossa génese. no nosso DNA sonhar com o amanhã, mas não vê-mos o presente, não tiramos as ilações, e a realidade é algo que nos bate tardiamente ou através do ecrã da TV e Notícias. 

A jornada do ser humano através da sua perspetiva do que é o mundo é uma pequena mancha na superfície de um grande lago, sem contemplação e sem conhecimento, apenas ânsia e organização.


A existência humana é ainda jovem e imatura, ávida de um sentido do amanhã que está envolto numa neblina que não deixa ver caminhos e objetivos. Somos ainda como a criança que quer ser grande porque o mundo é dos grandes, e esses vivem lá fora, e o mistério de serem adultos se vê dessa forma desmistificado, no entanto têm pressa de o ser e não aproveitam o seu tempo e a vida como ela se lhes apresenta. Somos eternos Wannabe's de um futuro que é o sonho e onde dominamos o nosso destino. Somos inconscientes e ditatoriais no que queremos e no que concedemos que os outros sejam e tenham. Somos os mestres do eterno "eu", que vivemos num mundo de "nós" e por isso somos incompatíveis connosco mesmos.

Impressionante como podemos ser tão inteligentes e ao mesmo tempo tão burros, inteligentes na vontade de avançar, no conhecer e organizar desse conhecimento, de tirar mais valias desse conhecimento, e tão burros na falsa crença que conseguimos dominar o mundo e os outros. Quando perceberemos que somos todos essenciais e necessários, quando chegará o dia em que conseguiremos por fim, dizer Humanidade e essa palavra significar o conjunto de todos os seres humanos, não mais competindo por espaço e recursos, mas pelo contrário, caminhando lado a lado, e com objetivos definidos de um bem comum.

A Jornada humana pela existência, é a trilha a seguir pelo homem pela luta da sua própria vida e a continuidade pelos séculos fora.

Tempo e Perspetiva

Leia aqui, Em busca da verdadeira essência: o que nos define como indivíduos?


Imagens de Topo: pixabay.pt


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