Linha de contexto: Uma reflexão sobre a passagem do tempo, a nostalgia de quem fomos e a impossibilidade de regressar aos lugares e estados de espírito onde já fomos felizes. Hoje levantei-me a pensar no que fui, no que sou e no que serei. Todos eles incertos para mim próprio, como para qualquer um de vós, já que não temos controlo da nossa vida, esse controlo é uma ilusão. Por mais passos atrás que demos, jamais seremos quem fomos um dia, o tempo e a ação do exterior impede-nos de nos resumirmos a esse ser anterior e desejado. É a viagem do tempo dentro de nós que é impossível, pois quem fomos jamais podermos voltar a ser, somos nós que não o permitimos. É como se tivesse acordado com saudades de mim próprio, da inocência, da curiosidade do amanhã, sem os erros, sem arrogância de pensar que sabermos é sempre a mais válida do falso conhecimento, sem todas as inverdades que nos dizemos a nós mesmos para nos desculparmos de sermos somente falíveis. Sinto falta dos sítios, mas...
Abro as Asas.
A noite aguarda o meu abraço.
O tempo rola pela brisa quente,
embalado pelo quente torpor do meu regaço,
que calmo adormece a gente,
tão pesada pelo cansaço.
Acordo no ventre materno,
olhando ao longe o inverno,
desta Terra que me alimenta a alma.
Desleixado da verdade que não vendo,
agarrando-me ao doce sabor da manhã,
ceoso do pouso no inferno.
Corre a fonte que abunda,
plena da elegância do recomeço.
Sentindo que desconheço,
a distência que não meço,
pelo sentido que se afunda.
Imagem de Topo: Pixabay.pt


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