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A singularidade

  Somos a nossa própria singularidade. O ponto de partida e o local de chegada. A alegria e o desespero. A casa cheia e a solidão. Enquanto vivemos tentamos obter reconhecimento da nossa própria existência, o testemunho do ar quente expelido dos pulmões. Por mais que caminhemos nunca poderemos deixar-nos a nós próprios, seremos sempre o eterno amigo que nos acompanha e único ser que nos ama incondicionalmente, aquele que nos conhece e nos aconselha e nos critica. Enganamo-nos para que a vida seja mais suportável, preenchemos os espaços com a importância de que nada representa para nós e dizemos chamar-se felicidade. E é nos momentos a sós que olhamos para dentro do que é a alma e esta nos mostra que por mais que corramos, por mais que nos aqueçamos nos braços de outras pessoas, por mais que sejam os beijos roubados, as manhãs de chuva na cama, ou o escutar mil vezes das aves no quintal, no fim seremos somente nós que estaremos porque somos a nossa própria singularidade. E aí lembra...

Abro as Asas

Abro as Asas



Abro as Asas.

A noite aguarda o meu abraço.

O tempo rola pela brisa quente,

embalado pelo quente torpor do meu regaço,

que calmo adormece a gente,

tão pesada pelo cansaço.


Acordo no ventre materno,

olhando ao longe o inverno,

desta Terra que me alimenta a alma.

Desleixado da verdade que não vendo,

agarrando-me ao doce sabor da manhã,

ceoso do pouso no inferno.


Corre a fonte que abunda,

plena da elegância do recomeço.

Sentindo que desconheço,

a distência que não meço,

pelo sentido que se afunda.


Imagem de Topo: Pixabay.pt


Tempo e Perspetiva







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