Somos a nossa própria singularidade. O ponto de partida e o local de chegada. A alegria e o desespero. A casa cheia e a solidão. Enquanto vivemos tentamos obter reconhecimento da nossa própria existência, o testemunho do ar quente expelido dos pulmões. Por mais que caminhemos nunca poderemos deixar-nos a nós próprios, seremos sempre o eterno amigo que nos acompanha e único ser que nos ama incondicionalmente, aquele que nos conhece e nos aconselha e nos critica. Enganamo-nos para que a vida seja mais suportável, preenchemos os espaços com a importância de que nada representa para nós e dizemos chamar-se felicidade. E é nos momentos a sós que olhamos para dentro do que é a alma e esta nos mostra que por mais que corramos, por mais que nos aqueçamos nos braços de outras pessoas, por mais que sejam os beijos roubados, as manhãs de chuva na cama, ou o escutar mil vezes das aves no quintal, no fim seremos somente nós que estaremos porque somos a nossa própria singularidade. E aí lembra...
Fora do mundo mostro a minha sede,
expressa pelas palavras que me saem da boca.
Sinto o vazio no peito e o peso de sentir o tempo que foge.
Tanto que fazer. Tanto que dizer.
Servidor de sonhos e fábulas.
Tempero que nutre os nós das palavras.
sons táticos de dizer.
Ser das parábulas.
Filho do amanhecer.
Canticos que escuto ao longe.
São lamentos da humanidade.
Carentes de um amor que tarda em se revelar.
Escassos sons de piedade.
Caiem já as cores do entardecer,
vertentes da mesma realidade.
Notas de uma mesma verdade,
No dia que se enluta no esmorecer,
nas luzes ténues da saudade.
Imagem de Topo: Pixabay.pt


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