Somos a nossa própria singularidade. O ponto de partida e o local de chegada. A alegria e o desespero. A casa cheia e a solidão. Enquanto vivemos tentamos obter reconhecimento da nossa própria existência, o testemunho do ar quente expelido dos pulmões. Por mais que caminhemos nunca poderemos deixar-nos a nós próprios, seremos sempre o eterno amigo que nos acompanha e único ser que nos ama incondicionalmente, aquele que nos conhece e nos aconselha e nos critica. Enganamo-nos para que a vida seja mais suportável, preenchemos os espaços com a importância de que nada representa para nós e dizemos chamar-se felicidade. E é nos momentos a sós que olhamos para dentro do que é a alma e esta nos mostra que por mais que corramos, por mais que nos aqueçamos nos braços de outras pessoas, por mais que sejam os beijos roubados, as manhãs de chuva na cama, ou o escutar mil vezes das aves no quintal, no fim seremos somente nós que estaremos porque somos a nossa própria singularidade. E aí lembra...
No final só temos o nosso nome.
Nem o amor, nem o dinheiro guardado, nem o aroma das flores coladas nas capas dos livros. No final temos o nosso nome, e é esse aquele que nos dão quando nascemos que nos identifica e nos apresenta ao mundo.
E não existe nada mais belo do que o nome que podemos chamar de nosso. Mesmo que os outros o mencionem pela eternidade, será sempre nosso, para eles será sempre o empréstimo de uma palavra, um vocábulo, uma permissão em que assentimos quando entoam as palavras que lançam com os lábios, e o doce estalar da língua.
O amor desaparece, o dinheiro vai e vem, as situações vão surgindo, evoluindo e desaparecendo. A única constante é o nosso nome. Tal como os nossos pais são um pilar para nós e nós o somos para os nossos filhos, o nosso nome é o pilar dentro de nós. É a base ao redor da qual Quem Somos se vai construindo, se vai edificando. Quando alguém nos ama, ama o nosso nome, quando nos elogia, é o nosso nome que ganha glória, O nosso nome é a pedra onde todos os dias colocamos um pedaço mais de cimento, de argamassa para erguer a grande casa que é o nosso Ser.
Quando olhamos para alguém, olhamos para um ser com um nome, e vemos uma face associada a um vocábulo com que a representamos na nossa mente. É inconsciente esta associação, é o nosso desejo de catalogar, de identificar, de fazer surgir sobre uma determinada impressão, sob uma ordem específica, e por tal, necessitamos de identificar o nome. O nome é importante, mas é a utilização que fazemos dele que nos determina e nos identifica junto de todos os outros nomes do mundo.
A importância do nome é grande, e por isso defende-lo é a única opção. No nosso nome residem todas as memórias do passado e as expetativas do futuro.
O nome é o som do nosso Ser. É o pensamento em voz alta do nosso Eu.

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