Linha de contexto: Uma reflexão sobre a passagem do tempo, a nostalgia de quem fomos e a impossibilidade de regressar aos lugares e estados de espírito onde já fomos felizes. Hoje levantei-me a pensar no que fui, no que sou e no que serei. Todos eles incertos para mim próprio, como para qualquer um de vós, já que não temos controlo da nossa vida, esse controlo é uma ilusão. Por mais passos atrás que demos, jamais seremos quem fomos um dia, o tempo e a ação do exterior impede-nos de nos resumirmos a esse ser anterior e desejado. É a viagem do tempo dentro de nós que é impossível, pois quem fomos jamais podermos voltar a ser, somos nós que não o permitimos. É como se tivesse acordado com saudades de mim próprio, da inocência, da curiosidade do amanhã, sem os erros, sem arrogância de pensar que sabermos é sempre a mais válida do falso conhecimento, sem todas as inverdades que nos dizemos a nós mesmos para nos desculparmos de sermos somente falíveis. Sinto falta dos sítios, mas...
No final só temos o nosso nome.
Nem o amor, nem o dinheiro guardado, nem o aroma das flores coladas nas capas dos livros. No final temos o nosso nome, e é esse aquele que nos dão quando nascemos que nos identifica e nos apresenta ao mundo.
E não existe nada mais belo do que o nome que podemos chamar de nosso. Mesmo que os outros o mencionem pela eternidade, será sempre nosso, para eles será sempre o empréstimo de uma palavra, um vocábulo, uma permissão em que assentimos quando entoam as palavras que lançam com os lábios, e o doce estalar da língua.
O amor desaparece, o dinheiro vai e vem, as situações vão surgindo, evoluindo e desaparecendo. A única constante é o nosso nome. Tal como os nossos pais são um pilar para nós e nós o somos para os nossos filhos, o nosso nome é o pilar dentro de nós. É a base ao redor da qual Quem Somos se vai construindo, se vai edificando. Quando alguém nos ama, ama o nosso nome, quando nos elogia, é o nosso nome que ganha glória, O nosso nome é a pedra onde todos os dias colocamos um pedaço mais de cimento, de argamassa para erguer a grande casa que é o nosso Ser.
Quando olhamos para alguém, olhamos para um ser com um nome, e vemos uma face associada a um vocábulo com que a representamos na nossa mente. É inconsciente esta associação, é o nosso desejo de catalogar, de identificar, de fazer surgir sobre uma determinada impressão, sob uma ordem específica, e por tal, necessitamos de identificar o nome. O nome é importante, mas é a utilização que fazemos dele que nos determina e nos identifica junto de todos os outros nomes do mundo.
A importância do nome é grande, e por isso defende-lo é a única opção. No nosso nome residem todas as memórias do passado e as expetativas do futuro.
O nome é o som do nosso Ser. É o pensamento em voz alta do nosso Eu.

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