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Hà sempre o depois

Linha de contexto: Uma reflexão sobre o paradoxo da condição humana: o medo da vulnerabilidade que nos leva a usar máscaras sociais, aprisionando a nossa essência num mundo que nós próprios construímos para nos causar dor. Quem não se cansa do mundo e do que vemos nele? Quem não se cansa de si mesmo e de como vê o mundo? Quem não gostaria de se mudar para que pudesse aprender com o que o rodeia e entendesse como o comportamento de si e de todos os que o rodeiam é feito de pequenos marcos que comprovam ou alteram o caminho que temos para percorrer? Aprendemos verdadeiramente com os outros porque nos queremos transformar em seres melhores, ou é apenas uma forma de evitarmos os bloqueios, as incompreensões, as divisões, os erros e as indecisões pela antecipação do amanhã? Independentemente de quem somos, e do que os outros são, há sempre o depois, e o depois assusta-nos, tememo-lo. Frágeis, e somente na fragilidade, somos nós mesmos e nos mostramos ao mundo. E é quando a vulnerabilidade ...

Ecos do passado

Ecos do Passado


Na voz do homem tudo é passado, tudo é o que foi e o que poderia ter sido, sem ser e sem permanecer. O som que é o eco de um passado a cada palavra que se esvai da sua boca, dos seus lábios, da sua finidade. 

E assim será a cada folego, e bater do coração, até que a humanidade se extinga, dentro do peito de cada um de nós.

Temos a esperança nos olhos, as amarras nas mãos e a morte no tempo. Este é o nosso karma e a nossa ligação ao significado de estarmos perdidos num mundo que não respeitamos, que não amamos e que não conhecemos. Um mundo que tudo nos dá e nada pede de volta, e do qual tudo precisamos, o nosso lar, a nossa base e essência.

Tememos o silêncio que existe em nós mesmos, por sabermos que temos a eternidade para ficarmos calados, inertes e esquecidos.

Aprisionados no tempo, caminhamos num circulo que se fecha no adormecer da alma, pelo último inalar de consciência. 

Tudo o que fomos, que poderíamos ter sido, ou que desejávamos ser, mais não são de pormenores num mundo onde o sentido da vida continua a ser tão misterioso hoje como o foi após o primeiro homem ter nascido.

Seremos um dia Ecos do passado, arrogantes pelo futuro que dizíamos querer, mas que sempre deixámos escorrer por entre os dedos. Por mais vozes que se levantem, a incapacidade do ser humano de lidar com o que está no horizonte. que não lhe toca a pele, que não lhe provoca dor, que não está perto de si, é igual à sua pequenez em aceitar, em reconhecer.

E quando os murmúrios chegarem, será tarde demais, porque não mais as vozes criarão o futuro, serão esgares num mundo de silêncio.


Imagem de Topo, Fonte: pixabay.com

Tempo e Perspetiva




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