Na voz do homem tudo é passado, tudo é o que foi e o que poderia ter sido, sem ser e sem permanecer. O som que é o eco de um passado a cada palavra que se esvai da sua boca, dos seus lábios, da sua finidade.
E assim será a cada folego, e bater do coração, até que a humanidade se extinga, dentro do peito de cada um de nós.
Temos a esperança nos olhos, as amarras nas mãos e a morte no tempo. Este é o nosso karma e a nossa ligação ao significado de estarmos perdidos num mundo que não respeitamos, que não amamos e que não conhecemos. Um mundo que tudo nos dá e nada pede de volta, e do qual tudo precisamos, o nosso lar, a nossa base e essência.
Tememos o silêncio que existe em nós mesmos, por sabermos que temos a eternidade para ficarmos calados, inertes e esquecidos.
Aprisionados no tempo, caminhamos num circulo que se fecha no adormecer da alma, pelo último inalar de consciência.
Tudo o que fomos, que poderíamos ter sido, ou que desejávamos ser, mais não são de pormenores num mundo onde o sentido da vida continua a ser tão misterioso hoje como o foi após o primeiro homem ter nascido.
Seremos um dia Ecos do passado, arrogantes pelo futuro que dizíamos querer, mas que sempre deixámos escorrer por entre os dedos. Por mais vozes que se levantem, a incapacidade do ser humano de lidar com o que está no horizonte. que não lhe toca a pele, que não lhe provoca dor, que não está perto de si, é igual à sua pequenez em aceitar, em reconhecer.
E quando os murmúrios chegarem, será tarde demais, porque não mais as vozes criarão o futuro, serão esgares num mundo de silêncio.
Imagem de Topo, Fonte: pixabay.com
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