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A singularidade

  Somos a nossa própria singularidade. O ponto de partida e o local de chegada. A alegria e o desespero. A casa cheia e a solidão. Enquanto vivemos tentamos obter reconhecimento da nossa própria existência, o testemunho do ar quente expelido dos pulmões. Por mais que caminhemos nunca poderemos deixar-nos a nós próprios, seremos sempre o eterno amigo que nos acompanha e único ser que nos ama incondicionalmente, aquele que nos conhece e nos aconselha e nos critica. Enganamo-nos para que a vida seja mais suportável, preenchemos os espaços com a importância de que nada representa para nós e dizemos chamar-se felicidade. E é nos momentos a sós que olhamos para dentro do que é a alma e esta nos mostra que por mais que corramos, por mais que nos aqueçamos nos braços de outras pessoas, por mais que sejam os beijos roubados, as manhãs de chuva na cama, ou o escutar mil vezes das aves no quintal, no fim seremos somente nós que estaremos porque somos a nossa própria singularidade. E aí lembra...

Ecos do passado

Ecos do Passado


Na voz do homem tudo é passado, tudo é o que foi e o que poderia ter sido, sem ser e sem permanecer. O som que é o eco de um passado a cada palavra que se esvai da sua boca, dos seus lábios, da sua finidade. 

E assim será a cada folego, e bater do coração, até que a humanidade se extinga, dentro do peito de cada um de nós.

Temos a esperança nos olhos, as amarras nas mãos e a morte no tempo. Este é o nosso karma e a nossa ligação ao significado de estarmos perdidos num mundo que não respeitamos, que não amamos e que não conhecemos. Um mundo que tudo nos dá e nada pede de volta, e do qual tudo precisamos, o nosso lar, a nossa base e essência.

Tememos o silêncio que existe em nós mesmos, por sabermos que temos a eternidade para ficarmos calados, inertes e esquecidos.

Aprisionados no tempo, caminhamos num circulo que se fecha no adormecer da alma, pelo último inalar de consciência. 

Tudo o que fomos, que poderíamos ter sido, ou que desejávamos ser, mais não são de pormenores num mundo onde o sentido da vida continua a ser tão misterioso hoje como o foi após o primeiro homem ter nascido.

Seremos um dia Ecos do passado, arrogantes pelo futuro que dizíamos querer, mas que sempre deixámos escorrer por entre os dedos. Por mais vozes que se levantem, a incapacidade do ser humano de lidar com o que está no horizonte. que não lhe toca a pele, que não lhe provoca dor, que não está perto de si, é igual à sua pequenez em aceitar, em reconhecer.

E quando os murmúrios chegarem, será tarde demais, porque não mais as vozes criarão o futuro, serão esgares num mundo de silêncio.


Imagem de Topo, Fonte: pixabay.com

Tempo e Perspetiva




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