Avançar para o conteúdo principal

O vento que te toca

O vento que toca a tua face, que leva a tristeza do teu olhar. Busca em ti o brilho da lua plena. Jamais te olhará como eu te olho. Jamais sentira o calor do teu coração, onde ecoam os rios do amor. Carece o pensar da razão, se temente dispensa a lógica do entardecer, e de joelhos te estende a mão, procurando a ti pertencer. É vento gelado que corre, jazendo a teu lado inerte. A teus pés esse frio morre, sabendo que não te merece. Imagem de Topo:  Pixabay.pt

O Eterno Retorno do Desconhecido: Vagando pelas Trilhas da Existência


O Eterno Retorno do Desconhecido: Vagando pelas Trilhas da Existência


Acompanho-me a mim próprio pela estrada a que chamamos de vida e nela percorro com o cajado do pensamento a ideia que tenho de quem sou e do que para outros represento. Sou profeta de vícios que não combato, de gula pela curiosidade que se atravessa a cada esquina do meu olhar, da esquizofrenia que me afeta a alma por todos os altos e baixos que representam quem sou.

Cuido da alma que transporto como se de uma mochila se tratasse. Lavo-a, para logo a conspurcar, no meio termo do qual sempre ouvi falar, não lhe faço comparações porque não tenho com quem comparar, ninguém a quem perguntar e a vontade já não se faz escutar.

Renitente de avançar no desconhecido, paro e oiço ao longe vozes de quem parece apontar o caminho, do diz que disse, do divagar pela tendência, mais do que pela razão. Não compreendo o linguajar, nem a tristeza desses olhares que procuram tal como eu a verdade, a luz, a finalidade de quem assume que não sabe como voar. Pêsame o estomago que me verga a possibilidade de alcançar o Éden de que falam, esse só no pensamento, no sonho que mora na minha cabeça.

Já não sei se caminho por onde quero ou nem quero caminhar e sou antes empurrado pela necessidade do ter de ser, do que todos querem e decidem. Quem sou não sei. Sou como a incerteza, e paro pela dúvida que manifesto. O brilho nos olhos, esse há muito que foi desvirtuado pelo baço e seco das possibilidades do que poderia ter sido, mas não foi, das palavras não ditas, dos olhares não vistos, do querer sem destino onde chegar.

A superficialidade do afeto dos seres humanos uns pelos outros no trato não me surpreende, já que a glória e excelência de cada ardor e paixão está restrita ao próprio que a confere. Felizes dos poetas que sentem por todos nós, o turbilhão de emoções, e as escrevem nos seus livros para nos ensinar a amar. Onde anda agora a chama da vida, longe dos rios que correm do olhar?


Imagem de Topo: Pixabay.pt


Tempo e Perspetiva





Comentários

Mensagens populares deste blogue

A melhor invenção do mundo

A melhor invenção do mundo, qual é? A Vida. De tudo o que poderia ser inventado, criado, a vida, em todas as suas formas e amplitude, é o resultado de um Génio. O Homem como peça central do universo. Principal e mais importante criação de Deus. o ser criado à semelhança do seu Criador. O antropocentrismo, dominou a ideia que temos desde a idade média, e que ainda é presente em muito da cultura do ser humano. Vemo-nos como o ser dominante, aquele que decide porque é o seu direito, conferido pela Entidade Maior do Universo. Pensando que muitos ainda nos vemos como a forma de vida mais importante no mundo, então, podemos assumir que todas as restantes formas de vida estão num nível mais baixo, e que temos a sua existência, ou continuidade desta nas nossas mãos. E por seguimento dessa suposição, temos então o direito enquanto seres "superiores" a decidirmos sobre as espécies ao nosso redor, sobre o meio ambiente e sobre as suas necessidades? Seremos então arrogantes ao pensar que...

Os demónios redutores que nos bloqueiam

Os demónios redutores que nos bloqueiam, primam por nos manterem na mesma posição de debilidade e incutem uma falsa segurança para nos dominar, esses que tantas vezes fazem o que querem, e sem dó nos deixam no limbo e reduzidos à corda bamba, sem a antevisão do amanhã. Estes, são seres amorfos que se rodeiam de outros como eles, e que nos fazem crer nas boas decisões de avanços quando estamos parados, à espera do sinal verde da honestidade, seriedade, fraternidade, esses valores tão lá para trás que não lembram a quem tem se fazer à vida. Essa que não para e que continua mesmo quando não estamos lá. Quando começamos a ter receio de falar, e de expressarmos realmente o que pensamos porque o inconveniente do depois é mais agreste do que a expressão que colocamos da boca para fora no agora, então é um sinal que a democracia e liberdade, são conceitos abstratos, inventados para adormecer plebes e permitir continuar a criação da rede que nos aperta e se diz ser para proteção. Olhos nos olho...

As pessoas e as Nozes

Sempre achei que as pessoas são como as nozes. Por fora duras e difíceis de quebrar e por dentro frágeis, facilmente esmigalhadas. A capa dura que temos embrenhada e que mostramos a todos os outros, iguais a nós, a nossa solidez em enfrentar o mundo. Inalamos oxigénio e exalamos determinação. Rimos por fora, e choramos por dentro. De noite acordamos e ficamos a olhar o infinito no escuro, tentando entender o caminho que temos pela frente. Procurando perscrutar sinais e pensamentos. Ás vezes corremos quando devíamos caminhar e noutras caminhamos quando deveríamos correr. Dificilmente sabemos equilibrar o espaço, e cambaleamos de experiência em experiência, onde somos as cobaias de um projeto que se reorganiza com demasiada velocidade para que nos consigamos verdadeiramente adaptar. Somos canibais do medo, que nos serve de alimento ao passo à frente e ao desconhecido imediato, aquele para o qual não estamos preparados. A verdade é que somos a razão e causa do nosso próprio medo. Temos re...