Avançar para o conteúdo principal

A ilusão do retorno

Linha de contexto:  Uma reflexão sobre a passagem do tempo, a nostalgia de quem fomos e a impossibilidade de regressar aos lugares e estados de espírito onde já fomos felizes.   Hoje levantei-me a pensar no que fui, no que sou e no que serei. Todos eles incertos para mim próprio, como para qualquer um de vós, já que não temos controlo da nossa vida, esse controlo é uma ilusão. Por mais passos atrás que demos, jamais seremos quem fomos um dia, o tempo e a ação do exterior impede-nos de nos resumirmos a esse ser anterior e desejado. É a viagem do tempo dentro de nós que é impossível, pois quem fomos jamais podermos voltar a ser, somos nós que não o permitimos. É como se tivesse acordado com saudades de mim próprio, da inocência, da curiosidade do amanhã, sem os erros, sem arrogância de pensar que sabermos é sempre a mais válida do falso conhecimento, sem todas as inverdades que nos dizemos a nós mesmos para nos desculparmos de sermos somente falíveis. Sinto falta dos sítios, mas...

O Eterno Retorno do Desconhecido: Vagando pelas Trilhas da Existência


O Eterno Retorno do Desconhecido: Vagando pelas Trilhas da Existência


Acompanho-me a mim próprio pela estrada a que chamamos de vida e nela percorro com o cajado do pensamento a ideia que tenho de quem sou e do que para outros represento. Sou profeta de vícios que não combato, de gula pela curiosidade que se atravessa a cada esquina do meu olhar, da esquizofrenia que me afeta a alma por todos os altos e baixos que representam quem sou.

Cuido da alma que transporto como se de uma mochila se tratasse. Lavo-a, para logo a conspurcar, no meio termo do qual sempre ouvi falar, não lhe faço comparações porque não tenho com quem comparar, ninguém a quem perguntar e a vontade já não se faz escutar.

Renitente de avançar no desconhecido, paro e oiço ao longe vozes de quem parece apontar o caminho, do diz que disse, do divagar pela tendência, mais do que pela razão. Não compreendo o linguajar, nem a tristeza desses olhares que procuram tal como eu a verdade, a luz, a finalidade de quem assume que não sabe como voar. Pêsame o estomago que me verga a possibilidade de alcançar o Éden de que falam, esse só no pensamento, no sonho que mora na minha cabeça.

Já não sei se caminho por onde quero ou nem quero caminhar e sou antes empurrado pela necessidade do ter de ser, do que todos querem e decidem. Quem sou não sei. Sou como a incerteza, e paro pela dúvida que manifesto. O brilho nos olhos, esse há muito que foi desvirtuado pelo baço e seco das possibilidades do que poderia ter sido, mas não foi, das palavras não ditas, dos olhares não vistos, do querer sem destino onde chegar.

A superficialidade do afeto dos seres humanos uns pelos outros no trato não me surpreende, já que a glória e excelência de cada ardor e paixão está restrita ao próprio que a confere. Felizes dos poetas que sentem por todos nós, o turbilhão de emoções, e as escrevem nos seus livros para nos ensinar a amar. Onde anda agora a chama da vida, longe dos rios que correm do olhar?


Imagem de Topo: Pixabay.pt


Tempo e Perspetiva





Comentários

Mensagens populares deste blogue

Os demónios redutores que nos bloqueiam

Os demónios redutores que nos bloqueiam, primam por nos manterem na mesma posição de debilidade e incutem uma falsa segurança para nos dominar, esses que tantas vezes fazem o que querem, e sem dó nos deixam no limbo e reduzidos à corda bamba, sem a antevisão do amanhã. Estes, são seres amorfos que se rodeiam de outros como eles, e que nos fazem crer nas boas decisões de avanços quando estamos parados, à espera do sinal verde da honestidade, seriedade, fraternidade, esses valores tão lá para trás que não lembram a quem tem se fazer à vida. Essa que não para e que continua mesmo quando não estamos lá. Quando começamos a ter receio de falar, e de expressarmos realmente o que pensamos porque o inconveniente do depois é mais agreste do que a expressão que colocamos da boca para fora no agora, então é um sinal que a democracia e liberdade, são conceitos abstratos, inventados para adormecer plebes e permitir continuar a criação da rede que nos aperta e se diz ser para proteção. Olhos nos olho...

Construção do Conceito de Monoteísmo

O conceito de Monoteísmo .. Na Teoria de Sigmund Freud existem ligações, as quais não vamos aqui tratar, não porque estas se afastem da via que tecemos primariamente, mas porque nos levaria a uma quantidade infindável de textos sobre este mesmo tema, o qual já é infindável por si mesmo não necessitando de mais evasões. Contudo podemos noutras alturas explorar certos ângulos dessas mesmas vias. Freud alerta-nos para o facto de que um indivíduo a solo não pode criar uma religião do dia para a noite, tal como nós mesmos havíamos argumentado em texto anterior, uma religião não nasce de um dia para o outro, o conceito de Monoteísmo é algo que levaria anos a formar. Tal impossibilidade pode ser transportada para os nossos dias sob a forma do pensamento humano. Senão vejamos, ninguém acreditaria, que hoje deitar-me-ia e amanhã levantar-me-ia com um novo conceito de sistema político, sem ter pelo menos meditado naquilo que são as formas de sistema político conhecidas e que herdámos ao longo da...

A ilusão do retorno

Linha de contexto:  Uma reflexão sobre a passagem do tempo, a nostalgia de quem fomos e a impossibilidade de regressar aos lugares e estados de espírito onde já fomos felizes.   Hoje levantei-me a pensar no que fui, no que sou e no que serei. Todos eles incertos para mim próprio, como para qualquer um de vós, já que não temos controlo da nossa vida, esse controlo é uma ilusão. Por mais passos atrás que demos, jamais seremos quem fomos um dia, o tempo e a ação do exterior impede-nos de nos resumirmos a esse ser anterior e desejado. É a viagem do tempo dentro de nós que é impossível, pois quem fomos jamais podermos voltar a ser, somos nós que não o permitimos. É como se tivesse acordado com saudades de mim próprio, da inocência, da curiosidade do amanhã, sem os erros, sem arrogância de pensar que sabermos é sempre a mais válida do falso conhecimento, sem todas as inverdades que nos dizemos a nós mesmos para nos desculparmos de sermos somente falíveis. Sinto falta dos sítios, mas...