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Hà sempre o depois

Linha de contexto: Uma reflexão sobre o paradoxo da condição humana: o medo da vulnerabilidade que nos leva a usar máscaras sociais, aprisionando a nossa essência num mundo que nós próprios construímos para nos causar dor. Quem não se cansa do mundo e do que vemos nele? Quem não se cansa de si mesmo e de como vê o mundo? Quem não gostaria de se mudar para que pudesse aprender com o que o rodeia e entendesse como o comportamento de si e de todos os que o rodeiam é feito de pequenos marcos que comprovam ou alteram o caminho que temos para percorrer? Aprendemos verdadeiramente com os outros porque nos queremos transformar em seres melhores, ou é apenas uma forma de evitarmos os bloqueios, as incompreensões, as divisões, os erros e as indecisões pela antecipação do amanhã? Independentemente de quem somos, e do que os outros são, há sempre o depois, e o depois assusta-nos, tememo-lo. Frágeis, e somente na fragilidade, somos nós mesmos e nos mostramos ao mundo. E é quando a vulnerabilidade ...

O Eterno Retorno do Desconhecido: Vagando pelas Trilhas da Existência


O Eterno Retorno do Desconhecido: Vagando pelas Trilhas da Existência


Acompanho-me a mim próprio pela estrada a que chamamos de vida e nela percorro com o cajado do pensamento a ideia que tenho de quem sou e do que para outros represento. Sou profeta de vícios que não combato, de gula pela curiosidade que se atravessa a cada esquina do meu olhar, da esquizofrenia que me afeta a alma por todos os altos e baixos que representam quem sou.

Cuido da alma que transporto como se de uma mochila se tratasse. Lavo-a, para logo a conspurcar, no meio termo do qual sempre ouvi falar, não lhe faço comparações porque não tenho com quem comparar, ninguém a quem perguntar e a vontade já não se faz escutar.

Renitente de avançar no desconhecido, paro e oiço ao longe vozes de quem parece apontar o caminho, do diz que disse, do divagar pela tendência, mais do que pela razão. Não compreendo o linguajar, nem a tristeza desses olhares que procuram tal como eu a verdade, a luz, a finalidade de quem assume que não sabe como voar. Pêsame o estomago que me verga a possibilidade de alcançar o Éden de que falam, esse só no pensamento, no sonho que mora na minha cabeça.

Já não sei se caminho por onde quero ou nem quero caminhar e sou antes empurrado pela necessidade do ter de ser, do que todos querem e decidem. Quem sou não sei. Sou como a incerteza, e paro pela dúvida que manifesto. O brilho nos olhos, esse há muito que foi desvirtuado pelo baço e seco das possibilidades do que poderia ter sido, mas não foi, das palavras não ditas, dos olhares não vistos, do querer sem destino onde chegar.

A superficialidade do afeto dos seres humanos uns pelos outros no trato não me surpreende, já que a glória e excelência de cada ardor e paixão está restrita ao próprio que a confere. Felizes dos poetas que sentem por todos nós, o turbilhão de emoções, e as escrevem nos seus livros para nos ensinar a amar. Onde anda agora a chama da vida, longe dos rios que correm do olhar?


Imagem de Topo: Pixabay.pt


Tempo e Perspetiva





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