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Mensagens

A singularidade

  Somos a nossa própria singularidade. O ponto de partida e o local de chegada. A alegria e o desespero. A casa cheia e a solidão. Enquanto vivemos tentamos obter reconhecimento da nossa própria existência, o testemunho do ar quente expelido dos pulmões. Por mais que caminhemos nunca poderemos deixar-nos a nós próprios, seremos sempre o eterno amigo que nos acompanha e único ser que nos ama incondicionalmente, aquele que nos conhece e nos aconselha e nos critica. Enganamo-nos para que a vida seja mais suportável, preenchemos os espaços com a importância de que nada representa para nós e dizemos chamar-se felicidade. E é nos momentos a sós que olhamos para dentro do que é a alma e esta nos mostra que por mais que corramos, por mais que nos aqueçamos nos braços de outras pessoas, por mais que sejam os beijos roubados, as manhãs de chuva na cama, ou o escutar mil vezes das aves no quintal, no fim seremos somente nós que estaremos porque somos a nossa própria singularidade. E aí lembra...

Evoluir do Conceito Monoteísta

Logro saber que antes de qualquer outra coisa somos seres que conseguem manter a sua espiritualidade, e manter a espiritualidade não é necessariamente ter uma conduta de religiosidade, mas sim conseguir encontrar-se a si próprio dentro deste mundo maluco e descompassado de realidade em que vivemos. Passo a explicar-me melhor. Um homem é proporcionalmente crente e religioso em conformidade com o meio onde se insere a sua dependência económica e grau de conhecimentos? A frio, o que tento indagar é o seguinte, um homem de condições humildes e algumas carências, entre as quais económicas, poderá ser mais devoto a um credo que um homem com posses e de condições de vida mais medianas? E face a isto, carece de perguntar-mos, se o número de ateus é maior nas classes mais altas ou baixas? Se um homem que oriundo de condições humildes, tem tendência a crer mais numa entidade superior, face à sua própria condição, da qual necessitando indubitavelmente de ajuda, se presta a equacionar mais facilme...

Construção do Conceito de Monoteísmo

O conceito de Monoteísmo .. Na Teoria de Sigmund Freud existem ligações, as quais não vamos aqui tratar, não porque estas se afastem da via que tecemos primariamente, mas porque nos levaria a uma quantidade infindável de textos sobre este mesmo tema, o qual já é infindável por si mesmo não necessitando de mais evasões. Contudo podemos noutras alturas explorar certos ângulos dessas mesmas vias. Freud alerta-nos para o facto de que um indivíduo a solo não pode criar uma religião do dia para a noite, tal como nós mesmos havíamos argumentado em texto anterior, uma religião não nasce de um dia para o outro, o conceito de Monoteísmo é algo que levaria anos a formar. Tal impossibilidade pode ser transportada para os nossos dias sob a forma do pensamento humano. Senão vejamos, ninguém acreditaria, que hoje deitar-me-ia e amanhã levantar-me-ia com um novo conceito de sistema político, sem ter pelo menos meditado naquilo que são as formas de sistema político conhecidas e que herdámos ao longo da...

A Lenda Tipo

A verdade é que se procurarmos estabelecer analogias entre o padrão da lenda-tipo e o padrão da historia de Moisés, embora consigamos criar os pontos comuns entre ambas, (com as devidas ressalvas), temos na verdade, uma grande problema, é que o herói, ou figura heroicizada, Moisés, não é (segundo aversão judaica) de ascendência nobre, ou seja, temos aqui um ponto fundamental para a figura do herói. No entanto esse mesmo problema pode ser rebatido, pela existência em determinada altura da sua vida no seio da família nobre, tendo recebido os conhecimentos egípcios e tratado como um príncipe, aliás segundo a lenda judaica, Moisés tornou-se num dos príncipes do Egipto, pelo que mesmo não sendo de nascimento nobre, este se terá nobre via "adoção" da princesa e faraó. Tudo isto não veio trazer nenhuma luz para aquilo a que Freud intentou. Saber se Moisés era judeu ou egípcio. Existe no entanto um ponto assente nas lendas, mesmo que não façamos a leitura através da utilização do mét...

O Mito do Herói

Freud , evidencia-nos e descreve-nos as diferentes etapas do mito do herói. "As investigações de Rank, ás quais farei breves alusões, permitiram-nos conhecer a origem e a tendência deste mito. Um herói é aquele que se opõe com valentia ao seu pai e acaba por vencê-lo. O nosso mito retrata essa luta, remetendo-a até a pré-história do indivíduo, na medida em que a criança nasce contra a vontade do pai, escapando aos seus desígnios maléficos. O ato de abandonar o cesto evidencia uma inconfundível representação simbólica do nascimento: o cesto é o ventre materno; a água, o líquido amniótico. Em numerosos sonhos, a relação pais-filhos é representada pelo ato de tirar ou salvar das águas. Ao atribuir este mito natal a uma personagem famosa, a fantasia popular pretende reconhecê-la como herói, conforme o esquema de uma vida heroica." Dois pontos comuns é a existência de duas famílias, regra geral a família de partida que é quase sempre uma família nobre e rica, e a família de acolhi...

Freud, Moisés e Aton

O Nome Freud diz-nos que se o portador de um nome que denuncia determinada origem nos tempos atuais (leia-se por favor na qualidade de tempos atuais, os tempos inerentes à escrita do ensaio.), sendo assim (enuncia Freud) "(...) Quando nos referimos a épocas modernas não hesitamos" em adotar tais conclusões, embora hoje todo o indivíduo possua dois nomes - o próprio e o de família - e apesar da frequência com que se modifica ou assimila um nome em face de circunstâncias externas. Assim, não estranhamos quando nos dizem que o poeta alemão Chamisso era de origem francesa, ou que por sua vez, Napoleão Bonaparte era de origem italiana, e que Benjamin Disraeli era, de facto, um judeu italiano*(1), como o seu nome deixa supor. Pode admitir-se , portanto que em épocas recuadas e remotas uma tal dedução da nacionalidade, a partir de um nome, deveria ser ainda fidedigna e imperativa. No entanto, no meu entender, nenhum historiador extraiu esta conclusão no caso de Moisés, nem sequer o...

Freud e Aton

Segundo a história uma princesa egípcia terá salvo Moisés das águas do Nilo e deu-lhe o nome com o fundamento etimológico: «Eu salvei-o das águas». No entanto tal é segundo Freud insuficiente. Este possível cenário vem descrito no Livro Sagrado, relato do Êxodo, segundo capítulo. No entanto segundo um dos autores do Jüdisches Lexicon, a interpretação bíblica do nome é etimologia popular. A própria forma hebraica Moshes significa, «o que retira das águas», ou seja não se compadece com os relatos no Êxodo. Sigmund Freud, chama-nos igualmente á atenção do seguinte: "(...)Esta refutação pode ser apoiada em dois novos argumentos: primeiro seria absurdo atribuir a uma princesa egípcia conhecimentos de etimologia hebraica; segundo é quase certo que as águas de onde a criança foi retiradas não eram as do Nilo(...)". Quanto a esta qualidade por parte de uma princesa egípcia, não poderemos ter tanta a certeza assim, mas quanto a este pormenor, não nos vamos pronunciar agora, já que não...

Freud e Moisés

Muitos de nós desconhecemos porventura, mas Sigmund Freud quando publicou este artigos, aliás estes artigos, foi profundamente contestado, o que na realidade até poderia estar correto, se não fossem as críticas que lhe foram alicerçadas, fundamentadas numa defesa à religião e não num plano científico, como Freud teve a coragem de fazer. Convenhamos que um indivíduo que sendo judeu se alenta a um trabalho quase de destruição da crença estabelecida, é no mínimo dos mínimos o alvo de muitos que por convicção de fé, ou por puro fanatismo religioso não compreendem que o ser humano é contestatário por natureza e que esse mesmo ser humano se outorgará dos seus direitos de pesquisa e procura da verdade para aprimoração do conhecimento. No entanto, é admissível que os indivíduos que criticaram Freud o tenham feito, afinal de contas, "lutar" pelas nossa crenças não é crime, sendo que no entanto a mente aberta é sempre uma vantagem para qualquer ser humano. Na ausência de uma mente abe...